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Em 48 horas, um acordo “próximo” com o Irão pode passar a um cenário de ameaça militar total. Na Casa Branca, uma legião de conselheiros submissos a Donald Trump — os chamados “yes men” — estarão a condicionar a margem para avanços diplomáticos no Médio Oriente. Nos bastidores, revelados pelo jornal The Telegraph, os assessores tentam controlar o ruído gerado pelas constantes publicações Trump na Truth Social. Até agora, sem sucesso.
O retrato dos corredores de decisão feito pelo jornal descreve uma desorientação profunda. “Ninguém na administração parece saber o que está a acontecer, quais são os planos ou o que estamos à procura”, revelou uma fonte próxima de Trump, descrevendo a gestão atual como uma “grande confusão” sem “nenhuma responsabilização”.
https://observador.pt/2026/04/19/os-gritos-os-palavroes-e-a-expulsao-do-presidente-da-sala-de-crise-os-dias-quentes-na-casa-branca-em-plena-guerra-com-o-irao/
Um episódio ocorrido no domingo ilustra o clima de desordem. Pouco depois de Mike Waltz, embaixador dos EUA nas Nações Unidas, e Chris Wright, secretário da Energia, garantirem em programas televisivos que J.D. Vance lideraria as negociações em Islamabad, o próprio Presidente desmentia a informação aos jornalistas, alegando razões de segurança. Mais tarde, Trump confirmava que, afinal, o seu vice-presidente viajaria mesmo para o Paquistão.
Reuniões de segurança nacional “já não acontecem”, porque Trump “não gosta”
Este comportamento errático é visto por ex-funcionários como um sinal de que o Presidente está cada vez mais distante das estruturas formais que orientam uma nação em tempos de guerra. Mais do que distante, Trump mostra-se alérgico às longas reuniões de segurança nacional que tradicionalmente antecedem as decisões militares dos EUA. “Isso simplesmente já não acontece, Trump não gosta, ele sente-se limitado”, afirmou John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional do Presidente, ao The Telegraph.
Em vez dos métodos e canais oficiais, Donald Trump prefere confiar nos seus instintos e no seu núcleo mais próximo, que ocultará o que acha negativo. O Presidente é informado, com vídeos diários, sobre os sucessos militares, mas mantido na ignorância sobre os fracassos, incluindo sobre o ataque a uma escola que terá vitimado mais de 170 crianças. Até Susie Wiles, a chefe de gabinete, já terá expressado preocupação pelo facto de os assessores estarem a dar ao Presidente uma visão “cor-de-rosa” da realidade no terreno.
A diferença de postura em relação ao primeiro mandato é notória para quem o acompanha, segundo o jornal britânico. Se antes os assessores conseguiam enquadrar as decisões através de processos que demonstravam vantagens políticas, agora a convicção interna é a de que o Presidente se sente livre de quaisquer amarras: “Agora ele acha que pode fazer o que quiser”.
“São as publicações dele que estão a causar o caos”
O desgaste pessoal de Trump também transparece na gestão da crise. Descrito por uma das fontes citadas como cada vez mais irritável e privado de sono, o Presidente norte-americano tem multiplicado as publicações na Truth Social, feitas sem qualquer revisão. Os seus assessores, que outrora tentavam moderar a sua presença digital, assistem agora impotentes à torrente de mensagens que flui sem filtros.
“São as publicações dele que estão a causar o caos”, desabafa um diplomata do Golfo Pérsico. “Há coisas boas e más, mas as más têm efeitos significativos. Por trás de cada tweet, existe um motivo para a publicação, geralmente relacionado ao mercado de ações”, acrescenta.
Se por um lado demonstra entusiasmo com o poderio militar norte-americano, por outro lado, a frustração de Trump tem sido canalizada para os aliados — caso o nome ainda sirva — da NATO. Na Casa Branca, escreve o jornal, o pânico ter-se-á instalado ao perceber-se que os europeus não viriam em socorro dos EUA. Com a paciência a esgotar-se, o Chefe de Estado já terá confidenciado a colaboradores próximos que a sua vontade é, simplesmente, deixar de lidar com todo o processo.
https://observador.pt/2026/04/22/trump-tera-feito-lista-de-aliados-bons-e-maus-da-nato-para-distinguir-quem-ajudou-eua-na-guerra-contra-o-irao/
Com tudo isto, um desfecho para o conflito permanece bloqueado. As exigências do Irão e dos Estados Unidos continuam em rota de colisão, confirmando que, até ao momento, as pretensões de ambos os lados são totalmente irreconciliáveis.
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]
