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(A) :: Jordan Bardella esteve no Porto para falar de energia e reforçar sinergias com Ventura

Jordan Bardella esteve no Porto para falar de energia e reforçar sinergias com Ventura

Líder do Chega e candidato na pole position para suceder a Macron uniram-se nas críticas a Sánchez e à UE. “Não queremos sair da União Europeia, queremos mudá-la radicalmente", assumiu Bardella.

Miguel Pereira Santos
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As jornadas parlamentares dos Patriotas pela Europa, no Porto, atingiram o seu ponto alto esta quarta-feira com a presença de Jordan Bardella para abordar os tema da energia e o aumento do custo de vida. Além de liderar a família política do Chega na Europa, o líder da Frente Nacional (FN) é atualmente a grande esperança deste partido para uma viragem política em França. Apesar de Bardella não ter ainda oficializado a candidatura às presidenciais francesas de 2027, enquanto se espera a decisão em segunda instância sobre a ineligibilidade de Le Pen, Ventura já a dá como adquirida. “Espero vê-lo como Presidente da República Francesa daqui a alguns meses quando pudermos estar juntos novamente”, desejou Ventura.

Foi a retribuição do líder do Chega a Bardella depois de o político francês ter elogiado a “lealdade e amizade” existente entre os dois. “O André foi motivo de orgulho para o nosso grupo ao chegar à segunda volta das eleições presidenciais. Desejo que se torne o próximo chefe do Governo aqui em Portugal, porque ele o merece. Ele tem simultaneamente as convicções, o estatuto e o amor por Portugal. Nós falamos a mesma língua com o André. Eu não falo português, mas falamos evidentemente a língua do patriotismo, da soberania, da Europa das Nações.”

O líder dos Patriotas pela Europa aparece destacado em várias sondagens para a primeira volta das presidenciais que terão lugar em França em abril de 2027 e admite que uma vitória pode ter repercussões por todo o continente. “Nós, juntamente com a Marine Le Pen e a Frente Nacional, estamos conscientes de que, se ganharmos as eleições presidenciais no próximo ano, será uma vitória francesa, mas será também uma vitória europeia e para todas as nações da Europa que contestam o atual funcionamento da UE.”

Numa conferência de imprensa conjunta com Ventura, Bardella condenou Trump pela guerra em curso no Médio Oriente, elogiou a “humildade” com que Orbán reconheceu a derrota e fez dos seus alvos preferidos Sánchez e Von der Leyen. “Não somos a favor de sair da União Europeia, somos a favor de a mudar radicalmente e de mudar tudo sem destruir nada”, sublinhou.

Ventura lembra votação para Conselho Europeu: “Se quiserem que Costa destrua a Europa, força!”

A intervenção de Bardella no comício no Porto tinha como principal tema a necessidade de soberania energética na Europa e o líder da FN não teve pruridos em classificar a política energética de Bruxelas como “um desastre”. Culpou “a pressão dos ecologistas” e as resistências à produção energia nuclear pela dependência europeia do gás russo, assumindo-se como “um defensor convicto do nuclear”. Nesse sentido, criticou “a dependência excessiva” das energias renováveis que acredita que “certamente levou ao apagão em Espanha”.

André Ventura aproveitou as palavras de Bardella para defender que os europeus não podem ser alvo de uma “subjugação energética por nenhum bloco” geopolítico. O líder do Chega assumiu que a Rússia “não está no caminho certo da democracia” e que a UE tem de ser uma “união de países democráticos, fortes, ambiciosos e sem medo de nenhum bloco”, estando dotada da sua própria “autonomia energética”.

Apontando para uma outra grande potência mundial, o líder da FN afirmou que o bloqueio do Estreito de Ormuz “testemunha os limites que impõe a dependência europeia em relação aos hidrocarbonetos”. Jordan Bardella foi ainda mais longe, admitindo ter “reservas” sobre os objetivos de Donald Trump na guerra com o Irão. “Esta guerra é muito má para a energia europeia, as economias europeias, e para o poder de compra das famílias francesas.”

Depois, garantiu que, se o próximo Presidente francês for da FN, a sua primeira viagem oficial será a Bruxelas para discutir os preços da energia. Já André Ventura criticou o acordo comercial que a UE firmou com a Índia que disse ser “um produto” de António Costa. “Portugal tem muitas coisas boas, também tem as suas coisas más. A sua herança má é o Presidente do Conselho Europeu, António Costa”, atirou o líder do Chega.

“O acordo com a Índia é mais um desastre para os nossos produtores, é uma ameaça à nossa economia, porque gera e gerará uma invasão de produtos onde não há nenhum controle de leis laborais, de dignidade no trabalho, de controle ambiental, de controle energético, controle produtivo, não há nada”, justificou. Depois, lembrou o conselho que deu a líderes políticos europeus antes da eleição do atual Presidente do Conselho Europeu. “Disse isto a brincar aos meus colegas europeus quando se estava para decidir a possibilidade de António Costa ser o presidente do Conselho Europeu: O primeiro-ministro António Costa já praticamente destruiu o nosso país. Se quiserem que destrua a Europa, força e avançamos juntos”, ironizou.

Sánchez acusado de tentar “substituição eleitoral”

As críticas prosseguiram com outro socialista como alvo: Pedro Sánchez. Ventura disse que a regularização de 500 mil imigrantes em Espanha é “um crime contra a Europa” e teve como objetivo “compensar os votos que está a perder dos espanhóis com votos de imigrantes que chegam de fora, uma verdadeira substituição eleitoral”.

Bardella não se ficou atrás na condenação da decisão do Executivo espanhol. “A Espanha do senhor Sánchez está se a tornar na porta de entrada da submersão migratória da Europa. Certamente para criar uma manobra de diversão devido aos processos de corrupção.”  O eurodeputado prometeu que uma das primeiras medidas do um eventual Presidente do seu partido irá não só “restabelecer o controlo de fronteiras” entre países do Espaço Schengen como aprovar uma alteração a esta lei para que a livre circulação seja reservada a quem tem cidadania dos países europeus.

Os líderes de Chega e FN abordaram ainda a recente derrota eleitoral na Hungria do partido dos Patriotas pela Europa que, até agora, mais sucesso teve. Ventura admitiu que “é muito difícil que, ao fim de 16 anos, não haja um certo desgaste de poder” e elogiou a cedência do poder, por parte de Orbán. “Só mostra que era mesmo uma democracia, ao contrário do que muitos dos nossos adversários diziam e que também que muita imprensa de esquerda dizia.”

Jordan Bardella também viu no resultado “uma prova de que a democracia funcionou muito bem” e elogiou a “humildade” com que o Fidesz reconheceu a derrota. O líder dos Patriotas pela Europa reconheceu que algumas bandeiras de Peter Magyar foram bem recebidas junto do povo húngaro. “Ouvi [as bandeiras dele] relativamente à imigração, que são muito inspiradas pelas ideias que Viktor Orbán sempre defendeu.”

Por fim, Ventura lembrou que há partidos da família política do Chega em “diferentes fases de evolução” e pediu união para alcançar vitórias por toda a Europa. “Não vamos ganhar em todos os países, não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, mas como o Jordan disse, há países onde essa mudança está a acontecer. Portugal é um desses países, há outros onde está mais difícil de acontecer e há outros onde terá um impacto efetivamente muito forte na Europa”, disse numa referência às próximas eleições presidenciais francesas.

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