O cenário até pode parecer estranho, mas explica-se com memória, experiência e previsibilidade. O Manchester City continuava no segundo lugar da Premier League, continuava atrás do Arsenal e continuava a ser o perseguidor, mas já era o grande favorito a sagrar-se novamente campeão inglês — e tudo porque existe a memória das últimas temporadas dos gunners, a experiência de quem conquistou quatro dos últimos cinco Campeonatos e a previsibilidade de que Pep Guardiola não vai deixar fugir esta oportunidade.
E tudo isso tinha como base a matemática. Depois de vencer o Arsenal no Etihad no passado fim de semana, o Manchester City ficou a três pontos da liderança — sendo que ainda tem um jogo em atraso, contra o Crystal Palace, que está marcado para daqui a um mês. Ora, com cinco jornadas por disputar e vantagem no confronto direto, já que houve empate no Emirates em setembro, os citizens dependem apenas dos seus próprios resultados para igualarem os gunners no primeiro lugar e serem campeões à boleia do triunfo de domingo, até porque o primeiro critério de desempate é a diferença de golos.
https://observador.pt/2026/04/19/pep-nao-precisa-de-ir-comprar-nada-quando-tem-a-maquina-em-campo-city-vence-arsenal-e-fica-a-tres-pontos-da-lideranca-e-com-menos-um-jogo/
Ainda assim, há quem desconfie da memória, da experiência e da previsibilidade. Wayne Rooney, antigo avançado do Manchester United, criticou a forma “um pouco exagerada” como o Manchester City celebrou a vitória de domingo. Com Pep Guardiola, de forma natural, a defender os próprios festejos no relvado com a ideia de que os jogadores celebraram “porque sabiam o valor do adversário”.
“As pessoas podem dizer o que quiserem, coisas estúpidas. Eles sabiam que se não ganhássemos seria um adeus. Ganhámos e ainda estamos na luta. Como é que haveriam de não festejar? Por muito que se respeite o adversário e os seus adeptos, festeja-se como se quer. Esperar até ao final da época para celebrar? Vá lá. Eu disse-lhes para irem ter com os nossos adeptos e aproveitarem o momento em todos os jogos. Que sentido faz não viver o momento? Só se pode festejar uma vez se se ganhar? E se não se ganha, chora-se o tempo todo? Vá lá. Claro que não vamos festejar a meio da semana por 3-0 ou 4-0 e o adversário for diferente. Toda a gente sabia da importância daquele jogo, foi uma final, especialmente para nós. Talvez não para eles, mas para nós foi uma final e claro que tínhamos de a celebrar”, sublinhou o treinador espanhol.
Ora, esta quarta-feira e porque o Manchester City ainda defronta o Southampton no fim de semana na meia-final da Taça de Inglaterra, os citizens visitavam o Burnley. Pep Guardiola não contava com Rodri, que se lesionou contra o Arsenal, e apostava em Nico O’Reilly com Bernardo Silva no meio-campo, com Rayan Cherki, Semenyo e Jérémy Doku nas costas de Haaland e Matheus Nunes na direita da defesa. Já Scott Parker, numa equipa que vinha de oito jogos sem ganhar e três derrotas consecutivas e que era automaticamente despromovida ao Championship em caso de derrota, lançava Zian Flemming como referência ofensiva e tinha o ex-Sporting Marcus Edwards e o ex-Benfica Florentino no banco de suplentes.
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Numa primeira parte que até começou equilibrada, mas foi tombando, a primeira oportunidade até pertenceu ao Burnley, com Jaidon Anthony a rematar já na área para Donnarumma defender (3′). Cherki respondeu do outro lado, obrigando Martin Dúbravka a uma enorme defesa (4′), e o quase inevitável já não tardou: com muito espaço nas costas da defesa contrária, Doku soltou Haaland em velocidade e o avançado, na cara do guarda-redes, picou a bola para abrir o marcador (6′). Ao intervalo, o Manchester City estava a vencer o Burnley e já tinha saltado para a liderança da Premier League.
Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e os citizens poderiam ter aumentado a vantagem logo nos instantes iniciais, com Semenyo a aparecer descaído na direita da área a rematar por cima (49′). Haaland acertou no poste pouco depois (55′) e a equipa de Pep Guardiola ia dominando sem grandes sobressaltos, mas os minutos também iam passando sem que os golos — que podem ser tão importantes para as grandes decisões — voltassem a aparecer.
O treinador espanhol mexeu pela primeira vez já depois da hora de jogo, lançando Savinho e Nico González, e o brasileiro poderia ter marcado pouco depois de entrar e com um remate na área que Dubravka defendeu (70′). Já nada mudou até ao fim, com a equipa de Scott Parker a ensaiar ainda algumas aproximações inconsequentes à baliza de Donnarumma, e o Manchester City venceu o Burnley, que se juntou ao Wolverhampton nos despromovidos ao Championship. Os citizens estão agora na liderança da Premier League com os mesmos 70 pontos que o Arsenal, sendo que têm vantagem em relação aos gunners no que toca à diferença de golos, com mais três marcados.
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