As autoridades belgas pediram à população que prepare “um kit de emergência” com alimentos, medicamentos e produtos essenciais que permitam viver de forma autónoma durante três dias, face ao risco de catástrofe.
Trata-se de uma adaptação ao “contexto internacional instável” e ao risco de catástrofes naturais relacionadas com as alterações climáticas, afirmou o ministro do Interior belga, Bernard Quintin. Em caso de necessidade, pretende-se que os serviços de emergência se concentrem nos cidadãos mais vulneráveis, uma vez que o maior número possível de pessoas pode ser autossuficiente durante as primeiras horas da crise.
A Bélgica responde assim a uma exigência da Comissão Europeia no âmbito da sua estratégia “Preparação 2030”, revelada no ano passado, num contexto de ameaça russa resultante da invasão da Ucrânia em 2022. A comissária europeia responsável pelas situações de crise, Hadja Lahbib, saudou na rede X a iniciativa da Bélgica.
https://twitter.com/hadjalahbib/status/2046595785840635934
O “kit de emergência”, que pode ser transportado numa mochila em caso de ordem de evacuação, deve conter os principais documentos de identificação, produtos de higiene e de primeiros socorros básicos, um carregador de telemóvel, uma bateria externa, um canivete multifunções e um apito para sinalizar a sua presença às equipas de socorro. É também importante prever pelo menos um litro de água por pessoa, alguns biscoitos, frutos secos ou barras energéticas, uma caneta esferográfica e papel.
Pode-se manter em casa outro ‘kit’ mais completo, para o caso de ser necessário refugiar-se, potencialmente sem eletricidade, água ou acesso à Internet. Recomenda-se incluir um rádio. Os belgas são convidados a discutir entre vizinhos como se podem ajudar mutuamente, sabendo que é possível constituir um “kit de emergência comum” num prédio ou numa habitação partilhada.
“A questão não é assustar, mas sim não enterrar a cabeça na areia”, afirmou Bernard Quintin na rádio pública francófona RTBF. O ministro belga referiu-se à atual situação geopolítica, “mais preocupante do que há dez, quinze ou vinte anos”, e recordou também que a Bélgica foi atingida no verão de 2021 por inundações “ligadas às alterações climáticas” que causaram cerca de 40 mortos.