O artista plástico João Penalva foi distinguido por unanimidade com o Grande Prémio Fundação EDP Arte, no valor de 50 mil euros, destinado a consagrar artistas com carreira consolidada e historicamente relevante, anunciou esta quarta-feira a organização.
A escolha do júri internacional reconhece a consistência e continuidade de um trabalho “de enorme qualidade ao longo do tempo”, no espírito do galardão, sublinha um comunicado divulgado pela Fundação EDP.
Nascido em Lisboa em 1949, João Penalva, que comemora este ano cinco décadas de atividade artística, irá receber um prémio monetário no valor de 50 mil euros e será alvo de uma exposição retrospetiva e da publicação de um catálogo exaustivo que servirá de referência bibliográfica e historiográfica sobre a obra do artista.
O seu “percurso singular e não linear, ancorado num profundo trabalho de investigação e experimentação com materiais e linguagens diversas, os vários projetos ambiciosos que desenvolveu, e a consistência na qualidade da sua obra” motivaram a escolha do júri.
Depois de um percurso inicial na dança contemporânea, durante o qual fez parte de companhias como a de Pina Bausch (1973/74) e Gerhard Bohner (1975), e de ter fundado com Jean Pomares a The Moon Dance Company (1976), João Penalva fixou residência em Londres nesse mesmo ano, cidade onde viveu e frequentou a Chelsea School of Art entre 1976 e 1981.
Até aos anos 1990, desenvolveu uma produção assente na pintura neoexpressionista, mas a partir dessa década diversificou e complexificou as linguagens artísticas usadas, correlacionando imagem, texto e linguagem.
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Depois de anos concentrado na pintura, as suas peças começaram a ganhar escala e a compor-se de materiais diversos, como fotografias, vídeos, desenhos, documentos, música, diapositivos, cartas e todo o tipo de anotações e manuscritos, através dos quais o artista cria instalações narrativas.
O artista, que representou Portugal nas Bienais de São Paulo (1996) e Veneza (2001), apresentou exposições individuais em Vilnius, Londres, Innsbruck, Glasgow, Malmö, Milwaukee, Toronto, Budapeste, Berlim, Paris, Munique, Perth, entre outras cidades.
João Penalva, de 77 anos, viveu em Londres até 2021, ano em que regressou a Lisboa, mantendo, desde 2002, o cargo de professor externo na Academia de Arte de Malmö da Universidade de Lund, na Suécia.
O júri desta edição do galardão foi presidido por Vera Pinto Pereira, presidente da Fundação EDP, e constituído por Andrew Renton (escritor, curador e professor na Goldsmiths, Universidade de Londres), François Quintin (curador e diretor da Coleção Lambert), Luisa Cunha (artista e vencedora do Grande Prémio Fundação EDP Arte 2021), Luiz Camillo Osorio (curador e professor de filosofia), João Pinharanda (curador e diretor artístico do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) e Miguel Coutinho (administrador e diretor-geral da Fundação EDP).
O Grande Prémio Fundação EDP Arte foi atribuído anteriormente aos artistas Luísa Cunha (2021), Artur Barrio (2016), Ana Jotta (2013), Jorge Molder (2010), Eduardo Batarda (2007), Álvaro Lapa (2004), Mário Cesariny (2002) e Lourdes Castro (2000).
No último fim de semana abriram ao público, em Lisboa, a exposição “Personagens e Intérpretes”, na Culturgest, com algumas das peças mais emblemáticas da obra conceptual de João Penalva, contemplando texto, fotografia, vídeo, som e diversos materiais para contar histórias, e também a reinstalação da exposição “A Colecção Ormsson”, no Pavilhão Branco das Galerias Municipais.
Este projeto comemorativo da carreira do artista plástico inclui ainda a exibição de filmes na Cinemateca Portuguesa em junho.