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(A) :: Admirador de Hitler e obcecado com Columbine. Quem era o homem que fez o ataque nas pirâmides de Teotihuacán, no México?

Admirador de Hitler e obcecado com Columbine. Quem era o homem que fez o ataque nas pirâmides de Teotihuacán, no México?

Julio César Ramírez, 27 anos, matou uma turista e feriu 13 pessoas na segunda-feira, dia do aniversário de Hitler. Perfil "psicopático" mostra ódio a estrangeiros e fascinação por violência simbólica.

Manuel Nobre Monteiro
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O homem de 27 anos que abriu fogo contra vários turistas nas pirâmides de Teotihuacán, no México, na última segunda-feira, foi identificado como Julio César Jasso Ramírez. As autoridades mexicanas acreditam que seria admirador de Hitler e fascinado pelos autores do massacre de Columbine, que aconteceu em 1999 nos Estados Unidos.

Natural de Tlapa, no estado de Guerrero, e residente na Cidade do México, Ramírez agiu sozinho, matou uma turista canadiana e feriu pelo menos sete pessoas antes de se suicidar no local, após ter sido atingido por forças de segurança. “Tratou-se de um único agressor. Esta pessoa agiu sozinha, não tendo sido detetados indícios que permitissem supor a participação de mais alguém”, afirmou o secretário de Segurança do Estado do México, Cristóbal Castañeda Camarillo.

https://observador.pt/2026/04/20/atirador-faz-um-mortos-e-tres-feridos-nas-piramides-de-teotihuacan-no-mexico/

De acordo com a Procuradoria do Estado do México, citada pelo jornal Milenio, Ramírez apresentava “um perfil psicopático” e agiu como um “imitador de crimes marcantes”, inspirado no massacre de Columbine, o ataque armado de dois jovens ocorrido numa escola secundária norte-americana. Na mochila que trazia consigo foram encontrados panfletos relacionados com esse ataque, além de dezenas de cartuchos, uma faca e um revólver calibre .38.

As autoridades acreditam que a escolha da data — 20 de abril, aniversário do massacre de Columbine e também do nascimento de Adolf Hitler — não terá sido coincidência. A investigação aponta para uma possível motivação ideológica.

Segundo a imprensa mexicana, o atirador era admirador de Hitler e chegou a publicar nas redes sociais imagens a fazer a saudação nazi. Um vídeo gravado por uma das vítimas mostra-o a ler um discurso com conteúdo nacionalista, xenófobo e misógino, ameaçando turistas estrangeiros e dirigindo-lhes insultos. As vítimas eram maioritariamente estrangeiras, o que reforça a suspeita de um crime motivado pelo ódio.

Entre os objetos recolhidos pelas autoridades junto ao corpo do atirador após o ataque estava também uma imagem manipulada em que o próprio surge ao lado dos autores do massacre de Columbine, bem como uma camisola com a frase “Disconnect & Self-Destruct”, expressão associada a comunidades online que glorificam crimes violentos. As autoridades indicam ainda que Jasso Ramírez demonstrava sinais de desconexão da realidade, tendo deixado escrito referências a ideias “para além da Terra”.

Estas referências levaram especialistas a apontar para a possível ligação de Ramírez a subculturas digitais que promovem a chamada violência performativa, em que os crimes são feitos como atos simbólicos e mediáticos. O ataque está, deste modo, a ser visto como um exemplo de um tipo de violência emergente no país, distinta da criminalidade associada ao narcotráfico e mais próxima de fenómenos de radicalização individual e extremismo ideológico.

Além de uma vítima mortal, do ataque resultaram 13 feridos (seis americanos, três colombianos, duas brasileiras, uma canadiana e um russo), detalhou o secretário de Segurança Pública do Estado do México. Oito dos feridos permanecem hospitalizados. O jornal Excelsior detalha, ainda, que uma pessoa foi assistida em virtude de um ataque de ansiedade e que um dos feridos é menor de idade.

O complexo arqueológico de Teotihuacán continua encerrado até novo aviso, de acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e Historia do México.