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(A) :: Acusada de desvio de fundos federais, Sheila Cherfilus-McCormick renuncia ao Congresso dos EUA minutos antes de votação de expulsão

Acusada de desvio de fundos federais, Sheila Cherfilus-McCormick renuncia ao Congresso dos EUA minutos antes de votação de expulsão

Em causa estarão 5 milhões de dólares enviados por engano para a empresa de assistência médica da família de McCormick. A democrata nega irregularidades e avisa: "Luta está longe de ter terminado".

Mariana Furtado
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Minutos antes de o Comité de Ética da Câmara dos Representantes votar a recomendação para o seu afastamento, a deputada estadual Sheila Cherfilus-McCormick renunciou ao mandato no Congresso dos EUA na terça-feira, noticiou a imprensa norte-americana. A democrata da Florida é a terceira parlamentar a demitir-se este mês sob ameaça direta de expulsão.

A democrata Cherfilus-McCormick é acusada de desviar cinco milhões de dólares (cerca de 4,2 milhões de euros) em fundos federais de apoio a desastres (da Agência Federal de Gestão de Emergências) para financiar a sua campanha ao Congresso entre 2021 e 2022. O montante terá sido enviado por engano para a empresa de assistência médica da família da congressista durante a pandemia. Se for condenada em tribunal, a congressista de 47 anos enfrenta uma pena que pode chegar aos 53 anos de prisão.

A investigação parlamentar foi exaustiva e durou mais de dois anos. O painel bipartidário analisou mais de 33 mil páginas de documentos. Foram emitidas 59 intimações e realizadas 28 entrevistas com testemunhas, segundo a CNN. Michael Guest, o presidente republicano da comissão, descreveu as provas como “extremamente sérias e complexas”, escreve o The New York Times. No mês passado, o comité já a havia considerado culpada de 25 violações éticas distintas.

A renúncia antecipou um desfecho previsível: a expulsão era vista como inevitável por colegas de ambos os partidos. A maioria já indicava que votaria pela destituição, uma penalidade aplicada apenas seis vezes na história da instituição e que exige uma maioria de dois terços. Ao abandonar o cargo, a deputada esvaziou a jurisdição da comissão, que se limitou a ler a sua carta de demissão.

Cherfilus-McCormick nega qualquer irregularidade e mantém uma postura desafiadora. Num comunicado divulgado nas redes sociais, classificou o processo como uma “caça às bruxas” e criticou a tentativa de punição antes do trânsito em julgado. A democrata ainda enfrenta acusações criminais federais separadas, com o julgamento da agora ex-deputada marcado para fevereiro de 2027.

https://twitter.com/CongresswomanSC/status/2046649247408288135

Este não foi um processo justo. A Comissão de Ética recusou o pedido razoável do meu novo advogado para que lhe fosse concedido tempo para preparar a minha defesa. Ao prosseguir com este processo enquanto está pendente uma acusação criminal, a Comissão impediu-me de me defender. Não vou ficar de braços cruzados e fingir que isto foi outra coisa que não uma caça às bruxas”, lê-se no documento. A declaração encerra com um aviso: “Esta luta está longe de ter terminado”.

A saída de Cherfilus-McCormick integra uma vaga de demissões recentes em Washington. Na semana passada, o democrata Eric Swalwell renunciou após alegações de agressão sexual e conduta imprópria.

https://observador.pt/2026/04/13/acusado-de-agressao-sexual-eric-swalwell-suspende-candidatura-a-governador-da-california/

No mesmo período, o republicano Tony Gonzales abandonou o cargo após ser acusado de manter um relacionamento coercivo com uma funcionária que posteriormente cometeu suicídio.

https://observador.pt/2026/04/14/deputado-republicano-tony-gonzales-demite-se-apos-acusacoes-de-relacao-sexual-coerciva-com-assessora-que-se-suicidou/