Donald Trump participou numa maratona de leitura da Bíblia a propósito do 250.º aniversário dos Estados Unidos, promovida por organizações cristãs e por republicanos para incentivar um “regresso ao fundamento espiritual” do país.
O evento “A América Lê a Bíblia“, no qual cada participante lê uma passagem em voz alta, está a ser transmitido esta semana a partir do Museu da Bíblia, em Washington, e de outros locais. A participação de Trump teve como cenário a Sala Oval, de onde leu uma passagem sobre a dedicação pelo Rei Salomão do templo na antiga Jerusalém, em que Deus promete perdão se uma geração futura se arrepender depois de se rebelar.
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e se converter dos seus maus caminhos, então eu o ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e curarei a sua terra”, leu Trump a partir do livro II Crónicas, 7:11-22, que é citado frequentemente em comícios cristãos conservadores e eventos políticos, como a Convenção Nacional Republicana de 2024.
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Antes da sua leitura, Trump afirmou, num comunicado sobre o evento, que a Bíblia está “indelevelmente entrelaçada na identidade nacional e modo de vida” dos norte-americanos. A nota cita figuras históricas como o líder puritano John Winthrop, que “implorou aos seus companheiros colonos cristãos que se erguessem como um farol de fé para todo o mundo ver”.
Os críticos afirmam que o evento tem uma lista de participantes essencialmente partidária e faz parte de um projeto maior para ligar o próximo 250.º aniversário dos Estados Unidos a uma visão nacionalista cristã da fundação do país, algo que muitos historiadores contestam. Os cristãos brancos, particularmente os evangélicos, têm sido cruciais para a base eleitoral de Trump.
O evento bíblico acontece pouco depois das críticas de Trump ao Papa Leão XIV e apenas uma semana depois de o líder norte-americano ter recebido críticas dos seus apoiantes evangélicos por partilhar uma imagem nas redes sociais em que aparecia vestido com uma túnica branca, semelhante a Jesus Cristo e rodeado de símbolos patrióticos.
https://observador.pt/2026/04/13/donald-trump-partilha-imagem-gerada-por-ia-em-que-surge-como-se-fosse-jesus-cristo-e-apaga-apos-indignacao-dos-seus-apoiantes/
Entre os participantes na maratona bíblica estão também membros do Governo, como o secretário da Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, bem como o presidente da Câmara dos Representantes Mike Johnson e vários outros membros republicanos do Congresso.
O evento é organizado pela Christians Engaged — uma organização sem fins lucrativos cuja missão é “discipular os americanos sobre a cosmovisão bíblica e as suas responsabilidades de orar, votar e envolver-se” —, e acontece poucas semanas antes de um evento, a 17 de maio, chamado “Jubileu Nacional de Oração, Louvor e Ação de Graças”, que será realizado no National Mall, em Washington, DC.
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