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Bloqueio naval contra Irão é necessário para chegar a acordo, diz Trump

Trump garante manter o bloqueio naval imposto a Teerão e a ameaça de destruir a República Islâmica, "incluindo os seus líderes", caso não seja alcançado um acordo.

Agência Lusa
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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou que vai manter o bloqueio naval imposto a Teerão, apesar da prorrogação do cessar-fogo, porque, na sua opinião, só assim é possível alcançar um acordo.

Na terça-feira, Trump disse na rede social que detém, a Truth Social, que várias pessoas lhe disseram que “o Irão quer abrir o estreito [de Ormuz] imediatamente”, mas que respondeu: “Se fizermos isso, nunca haverá um acordo”.

“O Irão não quer o estreito de Ormuz fechado, querem-no aberto para poderem ganhar 500 milhões de dólares [426 milhões de euros] por dia (…) só dizem que o querem fechado porque eu o BLOQUEEI completamente (FECHADO!)”, acrescentou o presidente.

Por fim, Trump voltou a ameaçar destruir a República Islâmica, “incluindo os seus líderes”, caso não seja alcançado um acordo.

O cessar-fogo temporário declarado na ofensiva que os Estados Unidos (EUA) e Israel lançaram contra o Irão em 28 de fevereiro expirava esta quarta-feira. Mas Trump anunciou na terça-feira, a pedido do Paquistão, o prolongamento da trégua até que o Irão apresente uma proposta para um acordo.

Apesar do cessar-fogo, o Presidente dos EUA decidiu manter o bloqueio naval levado a cabo contra os portos iranianos, que, segundo o exército norte-americano, interrompeu 90% do comércio marítimo do Irão nos últimos 10 dias.

Washington e Teerão, que deverão retomar as negociações em breve, ainda não conseguiram chegar a acordo sobre a livre passagem pelo estreito de Ormuz, uma via navegável crucial para o comércio global, bloqueada por Teerão em retaliação pela ofensiva conjunta dos EUA e de Israel.

O Irão rejeitou as declarações de Trump sobre o cessar-fogo, afirmando ser inaceitável que a parte que “perde” a guerra dite os termos, e que o bloqueio naval é visto como se fosse um bombardeamento.

As conversações de paz entre os dois lados estão paradas, e a delegação norte-americana, chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, cancelou a viagem a Islamabade antes do anúncio da extensão do cessar-fogo por Trump.

Entretanto, representantes militares de mais de 30 países reúnem-se esta quarta-feira em Londres para preparar uma possível missão multinacional, liderada pelo Reino Unido e pela França, para reabrir o estreito de Ormuz após o conflito.

De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa britânico, a reunião de planeamento de dois dias será realizada no Quartel-General Conjunto Permanente Britânico em Northwood, a norte da capital.

O objetivo é traduzir o consenso político alcançado na semana passada em Paris num plano militar detalhado que garanta a liberdade de navegação nesta via estratégica, por onde passa um quinto do petróleo mundial.

O Reino Unido e a França estão a trabalhar para envolver o maior número possível de parceiros na missão, embora a lista de participantes na reunião militar em Northwood ainda não tenha sido divulgada.