O FBI está a investigar a suposta relação entre o desaparecimento ou morte de 10 cientistas nos EUA, incluindo a do português Nuno Loureiro, nos últimos três anos, dando resposta aos rumores que foram subindo de tom nas últimas semanas e que já levaram a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes a abrir uma investigação em paralelo.
Em causa está a morte ou o desaparecimento de pessoas ligadas a investigações sensíveis relacionadas com o setor nuclear e/ou aeroespacial dos EUA, noticia a CNN internacional. Apesar de, até à data, não haver aparente ligação entre os visados ou as suas circunstâncias, a agência federal diz estar “a liderar os esforços para procurar ligações entre os cientistas desaparecidos e falecidos, sendo este um trabalho em parceria “com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e com os nossos parceiros das forças policiais estaduais e locais para encontrar respostas”.
Segundo a revista conservadora National Review, os rumores quanto à eliminação destas figuras já circulavam junto de espaços conspiratórios nas redes sociais, mas subiram de tom quando o tabloide britânico Daily Mail publicou uma peça a 22 de março intitulada: “Mystery of five missing scientists sends chill across America. Three are dead. And one troubling link is now under scrutiny in DC” [“O mistério do desaparecimento de cinco cientistas causa agitação em toda a América. Três estão mortos. E uma ligação preocupante está agora a ser investigada em Washington”]
https://observador.pt/2025/12/16/fisico-portugues-que-dirigia-laboratorio-no-mit-morto-a-tiro-em-boston-diz-ministerio-dos-negocios-estrangeiros/
Nesse rol inicial de cientistas consta o nome de Nuno Loureiro, o físico português que dirigia o Centro de Ciência do Plasma e Fusão do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e que foi morto a tiro na sua própria residência a 16 de dezembro de 2025. A autoria do assassinato nunca foi totalmente esclarecida, com as autoridades a suspeitarem de Cláudio Valente, ex-colega de Loureiro no Instituto Superior Técnico responsável por um tiroteio na Universidade Brown que causou duas vítimas mortais. Valente foi encontrado morto a 18 de dezembro num armazém em New Hampshire, tendo aparentemente cometido suicídio com um tiro na cabeça.
Ao nome de Loureiro acrescentam-se os de William Neil McCasland, major general aposentado da força aérea norte-americana de 68 anos e que supervisionava o Air Force Research Laboratory, e Monica Jacinto, engenheira aeroespacial de 60 anos que trabalhou nesse mesmo laboratório num projeto para criar um “metal futurista” para motores de foguetão. Ambos desapareceram sem deixar rasto num espaço de oito meses — Jacinto em julho de 2025 e McCasland em fevereiro de 2026 — após irem fazer caminhadas.
A partir daí, começaram a surgir mais notícias conjecturando se estes e outros casos estariam relacionados, somando-se 10 exemplos de mortes súbitas ou desaparecimentos por explicar desde julho de 2023, quando Michael David Hicks, um cientista que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA durante quase 25 anos, morreu. De acordo com o The Times, a sua causa de morte foi indicada como “doença cardiovascular arteriosclerótica” e classificada como “natural”, mas o caso continua em aberto segundo os registos do médico legista do condado de Los Angeles.
Por trás desta campanha estão dois políticos republicanos: Eric Burlison, congressista representando o estado do Missouri, e Tim Burchett, congénere a representar o Tennessee. Os dois têm feito vários apelos à imprensa e através das redes sociais, sugerindo que algo poderá estar a ligar estes casos.
BREAKING: President Trump vows to look into the 10 scientists who have gone missing or turned up dead:
"I hope it's random, but we're going to know in the next week and a half."
"I just left a meeting on that subject."
"Pretty serious stuff… Some of them were very important… pic.twitter.com/VMgeZyayXl
— Fox News (@FoxNews) April 16, 2026
O tema tornou-se de tal forma ruidoso que Donald Trump pronunciou-se em relação ao mesmo este fim de semana. “Espero que seja aleatório, mas vamos saber na próxima semana e meia, acabei de sair de uma reunião sobre esse assunto, que é bastante sério… Algumas dessas pessoas eram muito importantes, e vamos analisar a situação nos próximos dias”, prometeu o presidente dos EUA.
No dia seguinte, foi a própria Casa Branca a dar fôlego ao tema, com a porta-voz Karoline Levitt a prometer que “à luz das recentes e legítimas questões levantadas sobre estes casos preocupantes”, a administração Trump ia “trabalhar ativamente com todas as agências relevantes e com o FBI para analisar de forma abrangente todos os casos em conjunto e identificar quaisquer possíveis pontos em comum que possam existir”. “Não será poupado nenhum esforço nesta iniciativa, e a Casa Branca fornecerá atualizações assim que as tivermos”, garantiu.
In light of the recent and legitimate questions about these troubling cases, and President Trump’s commitment to the truth, the White House is actively working with all relevant agencies and the FBI to holistically review all of the cases together and identify any potential… pic.twitter.com/SJ9thaFegh
— Karoline Leavitt (@PressSec) April 17, 2026
Entretanto, a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes revelou esta segunda-feira que tinha tinha iniciado uma investigação em paralelo, encabeçada por Burlison e por James Comer, representante do estado do Kentucky.
Numa nota assinada pelos dois, dizem ter enviado cartas ao Departamento de Energia, ao Departamento de Defesa, ao FBI e à NASA pedindo informação “quanto aos cientistas e aos outros profissionais ligados aos segredos nucleares ou à tecnologia espacial dos EUA que faleceram ou desapareceram misteriosamente nos últimos anos”, sugerindo que “estas mortes e desaparecimentos podem representar uma grave ameaça à segurança nacional dos EUA e ao pessoal norte-americano com acesso a segredos científicos” e que vários “relatórios públicos levantam questões sobre uma possível ligação sinistra entre uma série de mortes e desaparecimentos misteriosos que teve início em 2023”.
Segundo a CNN, apenas o FBI encarou proativamente este pedido, visto que o Departamento de Defesa limitou-se a afirmar que apenas responderia diretamente à comissão, ao passo que o Departamento de Energia remeteu as perguntas para a Casa Branca. Já a NASA, numa publicação feita pela sua porta-voz na rede social X, disse estar a “coordenar-se e a cooperar com as agências competentes” quanto a este tema, mas que “neste momento, nada relacionado com a NASA indica uma ameaça à segurança nacional”.
NASA is coordinating and cooperating with the relevant agencies in relation to the missing scientists. At this time, nothing related to NASA indicates a national security threat. The agency is committed to transparency and will provide more information as able. https://t.co/92dTXGAxQn
— Bethany Stevens (@NASASpox) April 20, 2026
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]
