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(A) :: Portugal violou direito internacional ao "facilitar transferência de armas para Israel", acusa Amnistia Internacional

Portugal violou direito internacional ao "facilitar transferência de armas para Israel", acusa Amnistia Internacional

Em outubro passado, o Governo admitiu a passagem destas aeronaves pelos Açores, mas atribuiu-a a uma “falha de procedimento”. ONG critica "dois pesos e duas medidas" de Portugal.

Miguel Pereira Santos
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A Amnistia Internacional (AI) considera que Portugal violou o direito internacional humanitário e as suas obrigações ao abrigo do Tratado sobre o Comércio de Armas, ao permitir que três caças F-35 fizessem escala na Base das Lajes, em abril de 2025, quando foram vendidos pelos EUA a Israel.

Em outubro passado, o Governo admitiu a passagem destas aeronaves pelos Açores, mas atribuiu-a a uma “falha de procedimento”. No seu relatório anual, a ONG considera que Portugal “facilitou a transferência de armas para Israel” ao permitir a escala no seu território a 23 de abril de 2025.

Num primeiro momento, o ministério dos Negócios Estrangeiros negou a passagem das aeronaves, mas após uma segunda averiguação ao sucedido “determinou que as aeronaves eram americanas e que efetivamente houve comunicação e autorização tácita (isto é, por decurso do prazo respetivo) da escala e sobrevoo de três aeronaves americanas para entrega a Israel”.

“É preocupante esta irresponsabilidade de Portugal e a consequente violação do direito internacional quando autorizou a passagem pela Base das Lajes destes três aviões. Especialmente por terem sido vendidos pelos Estados Unidos a Israel, quando Israel cometia um genocídio de larga escala na Palestina“, disse João Godinho Martins, presidente da AI em Portugal.

Devido à guerra em curso no Médio Oriente, a Amnistia Internacional lançou uma petição pública na semana passada para “pedir ao Governo português que pare de contribuir para possíveis violações do direito humanitário” e “reveja” a utilização dada à Base das Lajes. “Quando criticamos o Irão — e bem — mas não criticamos os Estados Unidos, porque são nossos aliados, estamos a ser seletivos. Esta utilização de dois pesos e duas medidas é uma contribuição ativa para descredibilização do sistema internacional”, sentenciou Godinho Martins, em declarações à RTP.

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