(c) 2023 am|dev

(A) :: Flórida abre investigação criminal ao ChatGPT por ter dado conselhos ao suspeito do ataque numa universidade em Tallahassee

Flórida abre investigação criminal ao ChatGPT por ter dado conselhos ao suspeito do ataque numa universidade em Tallahassee

Processo foi aberto após conversas entre o suspeito do ataque de abril de 2025 e o ChatGPT revelarem "conselhos importantes" sobre armas. Objetivo é apurar se OpenAI tem responsabilidade criminal.

Manuel Nobre Monteiro
text

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou esta terça-feira a abertura de uma investigação criminal ao ChatGPT e à sua empresa, OpenIA, com base na análise de mensagens trocadas entre o sistema e o suspeito de um ataque que ocorreu em abril do ano passado na Florida State University.

De acordo com Uthmeier, citado pelo New York Times, as conversas indicam que o chatbot terá dado “conselhos importantes” ao alegado autor do ataque antes da sua realização. Entre os exemplos apontados estão perguntas sobre a potência de uma arma a curta distância e sobre o tipo de munições a utilizar. “Os meus procuradores analisaram isto e disseram-me que, se estivesse uma pessoa do outro lado do ecrã, estaríamos a acusá-la de homicídio“, afirmou o responsável durante uma conferência de imprensa.

No dia do ataque, segundo o jornal nova-iorquino, o suspeito questionou o ChatGPT sobre a reação do país a um ataque com tiros naquela universidade e sobre os períodos de maior afluência na instituição.

https://observador.pt/2025/04/17/tiroteio-em-universidade-na-florida-varios-feridos-e-atirador-ainda-nao-foi-detido/

O ataque fez dois mortos e seis feridos, incluindo pelo menos um estudante. O suspeito, Phoenix Ikner, então com 20 anos, enfrenta várias acusações de homicídio e tentativa de homicídio e aguarda julgamento em prisão preventiva.

Num comunicado divulgado no início deste mês, a OpenAI afirmou estar disponível para cooperar com as autoridades norte-americanas. “Construímos o ChatGPT para compreender a intenção das pessoas e responder de forma segura e apropriada. Continuamos a melhorar a nossa tecnologia”, indicou a empresa.

O procurador-geral reconheceu tratar-se de um tema jurídico pouco explorado, uma vez que a OpenAI é uma empresa e não uma pessoa. Ainda assim, sublinhou a necessidade de apurar se “seres humanos poderão ter estado envolvidos no desenho, gestão e operação” do sistema de forma que justifique responsabilidade criminal.

[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista socialOs ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]