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Mulher detida no Aeroporto de Los Angeles por suspeita de facilitar tráfico de armas para o Irão

Shamim Mafi, residente nos Estados Unidos desde 2016, terá usado empresas de fachada em Los Angeles e em Omã para contornar as sanções de Washington e abastecer Teerão com drones, bombas e munições.

Manuel Nobre Monteiro
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Uma mulher de 44 anos foi detida no Aeroporto Internacional de Los Angeles, nos Estados Unidos, suspeita de ter facilitado a venda de armamento no valor de milhões de dólares para o Governo do Irão. De acordo com as autoridades federais, citadas pelo New York Times, a detenção ocorreu no passado sábado quando tentava embarcar num voo com destino à Turquia.

Segundo o procurador federal adjunto para a Califórnia Central, a mulher, identificada como Shamim Mafi, terá sido intermediária em operações de venda de drones, bombas, detonadores, armas de assalto e munições. “Qualquer pessoa que viole as leis de sanções dos Estados Unidos será alvo de uma acusação rigorosa”, escreveu Bill Essayli, numa publicação na rede social X, elogiando o trabalho do FBI de Los Angeles.

https://twitter.com/USAttyEssayli/status/2045856496945439096

A acusação de 69 páginas consultada pelo New York Times sustenta que Mafi, residente legal nos Estados Unidos desde 2016, terá criado uma empresa de fachada em Los Angeles, a Atlas International Business LLC, e uma entidade semelhante em Omã, através das quais se apresentava como intermediária entre o Governo iraniano e compradores de armamento.

Os procuradores alegam que a mulher operava como representante dos interesses dos serviços secretos iranianos, mantendo contactos com elementos que conhecia desde a infância e coordenando-se com altos responsáveis do Governo de Teerão. Entre os negócios identificados pelas autoridades está uma alegada venda de drones no valor superior a 60 milhões de dólares (cerca de 51 milhões de euros) ao Ministério da Defesa do Sudão, país que enfrenta uma guerra civil e também sujeito a sanções norte-americanas.

Entre 2021 e 2024, Shamim Mafi foi várias vezes interrogada pelas autoridades fronteiriças norte-americanas, tendo admitido ligações ao Irão, incluindo o facto de o seu primeiro marido ter sido oficial dos serviços de informações iranianos. Terá também dito que conhece mecanismos usados por Teerão para contornar sanções e branqueamento de capitais, mas alegou que o seu trabalho se centrava no envio de ajuda médica para países africanos.

“Se for condenada, enfrenta uma pena máxima prevista na lei de 20 anos de prisão federal“, afirmou Bill Essayli, acrescentando que a primeira comparência em tribunal estaria prevista para esta segunda-feira. “Presume-se a sua inocência até que seja provada a sua culpa em tribunal”, concluiu.

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