(c) 2023 am|dev

(A) :: Irão executa três homens em 48 horas por alegada espionagem para serviços secretos de Israel

Irão executa três homens em 48 horas por alegada espionagem para serviços secretos de Israel

Em causa estão acusações de crimes de "inimizade contra Deus": planos incendiários contra edifícios militares e até uma mesquita. Tudo alegadamente apoiado — e treinado — por redes da Mossad.

Mariana Furtado
text

Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra no Médio Oriente

As autoridades iranianas intensificaram a aplicação da pena capital esta semana, com a execução de três homens condenados por alegada espionagem a favor da Mossad, os serviços secretos israelitas.

Na manhã de segunda-feira, Mohammad Masoum Shahi e Hamed Validi foram executados. A acusação a ambos, de acordo com a agência Tasnim, sustenta que receberam formação especializada em comunicações seguras, na identificação de locais sensíveis e ainda na produção de engenhos explosivos. As condenações basearam-se em crimes de “inimizade contra Deus” e colaboração com o “regime sionista”, escreve o portal judicial iraniano Mizan, citado pelos media internacionais.

https://twitter.com/RojhelatInfo_En/status/2046092516953370634

A acusação alega ainda que o grupo realizou ataques incendiários contra instalações militares e edifícios públicos, enviando provas visuais das ações para contactos no estrangeiro em troca de pagamentos em criptomoedas. A rede estaria já sob vigilância das autoridades no momento em que terá recebido novas instruções para atacar alvos na capital iraniana.

Já esta terça-feira, o regime confirmou o enforcamento de um terceiro homem, Amirali Mirjafari, acusado de liderar uma unidade “anti-segurança” ligada à Mossad. Mirjafari foi condenado pelo incêndio da mesquita Qolhak, em Teerão, durante os protestos de janeiro. Embora os relatos oficiais indiquem que o arguido confessou a autoria dos ataques com engenhos incendiários, organizações como o Conselho Nacional da Resistência do Irão — braço político do grupo Mojahedin-e Khalq (MeK) — têm alertado repetidamente para a extração de confissões sob coação e tortura no sistema judicial iraniano, noticia a imprensa internacional.

https://twitter.com/RojhelatInfo_En/status/2046521114046668826

Para o chefe do poder judicial do Irão, há que acelerar os processos. “É preciso acelerar a emissão de sentenças de execução e o confisco de bens”, declarou Gholam Hossein Mohseni Ejei, visando todos os acusados de envolvimento em distúrbios ou de suposta colaboração com potências como Israel e os Estados Unidos. Numa reunião transmitida pela televisão estatal iranina com a cúpula do judiciário, o magistrado instou os tribunais a uma maior celeridade na punição de crimes que, no entender de Teerão, servem interesses estrangeiros.

O recurso recorrente à pena máxima permanece um elemento central na prolongada guerra de bastidores entre Teerão e Telavive há longos anos.

[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista socialOs ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]