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Casal julgado por homicídio e maus-tratos sexuais a bebé de um ano que estava a adotar

Autópsia detetou 40 ferimentos externos e internos no menino de 13 meses, sendo que morreu de asfixia. O pai que o terá morto está acusado de 25 crimes e o companheiro de outros quatro.

Mariana Carrilho
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O bebé chegou a casa de Jamie Varley, professor do ensino secundário, de 37 anos, e do seu companheiro, John McGowan-Fazakerley, de 32, em abril de 2023, o casal que tinha começado o processo para o adotar. Quatro meses depois, a 17 de julho de 2023, Preston Davey foi levado para o Blackpool Victoria Hospital, inconsciente e em paragem cardíaca, tendo morrido uma hora depois. A acusação, no julgamento que arrancou esta segunda-feira, em Preston, Reino Unido, não tem dúvidas: o bebé de 13 meses terá sido “abusado sexualmente e agredido fisicamente” antes de morrer às mãos de Varley.

A autópsia, segundo a Sky News, mostrava indícios de obstrução aguda das vias aéreas superiores, resultante ou de asfixia, com uma mão ou tecido, ou da inserção de um objeto na boca. Além disso, foram detetados 40 ferimentos externos e internos, incluindo uma fratura no braço. A acusação afirmou ainda que Varley agrediu Preston sexualmente no dia da sua morte, enquanto o seu companheiro estava no trabalho, avançou a BBC.

A acusação, relata o The Guardian, confirmou que Varley e McGowan-Fazakerley, de 32, estavam numa relação aparentemente estável e afetuosa mas que as provas demonstravam que eram “totalmente inadequados para o papel de pais adotivos”. “Infelizmente, esse fato só se tornou tão óbvio quando, para Preston Davey, já era tarde demais”, admitiu o procurador Peter Wright KC.

O magistrado revelou a existência de vídeos no telemóvel de Varley com o bebé sem supervisão, a “rastejar e deslizar” na banheira por 14 minutos, enquanto o adulto “nunca interveio e apenas gravou, sem dizer uma palavra”. Apesar de considerar Varley como o principal responsável pelos abusos contínuos ao bebé, Wright refere que as provas recolhidas implicaram também  McGowan-Fazakerley em agressões sexuais

Segundo a Procuradoria da Coroa (CPS, na sigla em inglês), autoridade independente que é responsável por levar a tribunal os casos investigados pela polícia apenas em Inglaterra e no País de Gales, Varley enfrenta 25 acusações relacionadas com homicídio, maus-tratos sexuais e físicos contra o bebé. McGowan-Fazakerley foi acusado de permitir a morte da criança e de outros três crimes relacionados com o menor. Os suspeitos negam acusações.

*Texto editado por Cátia Andrea Costa

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