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(A) :: Carneiro atira a "papões" do Governo e afasta os que tem no PS: "Não há oposição ou teria havido outras candidaturas" à liderança

Carneiro atira a "papões" do Governo e afasta os que tem no PS: "Não há oposição ou teria havido outras candidaturas" à liderança

Líder do PS foi ao mercado criticar redução do desconto do ISP e propor IVA de 13% nos combustíveis. Tenta desvalorizar turbulência interna no partido, ao dizer que é tema que "não ocupa" portugueses.

Rita Tavares
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O líder do PS esteve esta manhã no mercado de Alvalade para fazer um ponto de situação ao aumentos dos preços e para acusar o Governo de “meter a mão no bolso dos portugueses” com a redução do desconto fiscal no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, em vez de reduzir o IVA de 23% para 13% na gasolina e gasóleo, como o PS propõe. José Luís Carneiro garante que a proposta está dentro da “responsabilidade orçamental” e diz ao Governo que deixe de “acenar com papões” de deslize nas contas públicas. Isto tudo numa altura em que ele mesmo tem papões dentro de casa. Uma frente de oposição que se está a compor no PS? “Não há oposição, se tivesse havido tinha havido candidaturas” contra a sua, atira.

Às 11h00 da manhã de uma terça-feira, no mercado não se vê quem ande às compras, a não ser um ou outro socialista que vai na comitiva do líder. Carneiro tem uma intenção na visita: sensibilizar para o aumento dos preços e distribuir o panfleto com as medidas de alívio das famílias e onde consta o IVA zero no cabaz de produtos essenciais, mas sobretudo propostas mais dirigidas aos combustíveis e energia. Não tem público para isto, por isso vai falando com os vendedores, vendendo ele mesmo o seu próprio conjunto de medidas perante o aumento dos preços.

Considera que o Governo se mantém “insensível” às dificuldades que as pessoas já vão sentido com o aumento dos preços e isso serve-lhe para tudo, inclusivamente para se esquivar às perguntas dos jornalistas sobre os problemas “domésticos” que o próprio líder do PS enfrenta — com o movimento de Duarte Cordeiro para ter “liberdade para discordar” e o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento. “Eu tenho uma estima imensa pelos meus camaradas, mas sei também que eles próprios concordarão com estas propostas que estou a apresentar, que são propostas para responder às necessidades das pessoas”, começou por dizer.

Na mesma linha de tentativa de desdramatização do tema, o socialista disse ainda que esteve “com várias pessoas que fazem compras todos os fins de semana e nenhuma falou desse tema. Falaram, sim, do aumento dos combustíveis, do custo de vida e de como estão a fazer contas ao fim de mês, aos cêntimos do fim de mês, para decidirem sobre aquilo que vão comprar. Por exemplo, o custo com o peixe. É um custo que está a preços incomportáveis”, disse muito próximo de uma das bancas do peixe. Embora reconheça que “o resto” das matérias “têm a sua importância”, não são elas que “ocupam a cabeça dos portugueses.”

Quanto à sua cabeça, a questão parecer trazer algum peso, tanto que a dada altura acertou o passo aos desalinhados, ao lembrar que as diretas do partido foram em março e que ele foi candidato único. Quando questionado sobre a existência de uma oposição interna em formação, Carneiro atirou: “Não há oposição. Se tivesse havido oposição teria havido candidaturas”.

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Desde domingo, na intervenção que fez na Comissão Nacional do partido, que Carneiro tem apontando à mais recente medida do Governo sobre a redução dos desconto do ISP, avisando que “desde segunda-feira, os portugueses estão a pagar mais impostos sobre os combustíveis”. E isto porque “o Governo, em vez de adotar medidas para limitar os efeitos de inflação na vida das pessoas, o que fez, foi aumentar os impostos sobre os combustíveis”. “Decidiu meter a mão no bolso dos portugueses que estão a ser mais fustigados com as decisões que o Governo está a tomar”.

Insiste nas medidas que propõe, do IVA zero no cabaz alimentar, da redução do IVA sobre os combustíveis e sobre a eletricidade — que diz que “um custo estimado de cerca de 90 milhões de euros” com “ganhos muito significativos para as famílias e para as empresas”. E garante que ” que “são medidas que não colocam em causa a responsabilidade orçamental”. A narrativa do Executivo é que as propostas da oposição põem em risco a estabilidade orçamental, mas o socialista diz que “tem contas feitas” e elas “enquadram-se na responsabilidade orçamental” e que as medidas que o PS propõe “de forma alguma colocam em causa as contas públicas“. Aconselha o Governo a “evitar continuar a acenar papões para distrair as atenções das pessoas daquilo que é o essencial, e da sua incapacidade para responder às necessidades das pessoas”.

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