Existem jogadores de basquetebol que são apenas muito altos. Chegam à NBA com o rótulo de chegarem à tabela com o braço esticado, de afundarem quase sem saltar, de abafarem um adversário sem grande esforço. Mas depois não compensam com técnica, velocidade, oportunidade. São apenas muito altos. Victor Wembanyama é a prova de que é possível ser muito alto de ter técnica, velocidade e oportunidade.
Esta segunda-feira, o francês dos San Antonio Spurs tornou-se o primeiro jogador de sempre a ser eleito Defensive Player of the Year (DPOY), o melhor defesa da NBA, por unanimidade. O universo de 124 jornalistas congregou 500 votos para Victor Wembanyama, à frente dos 239 de Chet Holmgren (Oklahoma City Thunder) e dos modestos 60 de Ausar Thompson (Detroit Pistons), e estabeleceu a votação mais expressiva desde que o prémio existe — ou seja, desde 1982/83.
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Para além de ser o primeiro e único a receber o Troféu Hakeem Olajuwon por unanimidade, é também o mais novo de sempre, já que tem apenas 22 anos, e apenas o segundo a vencê-lo dentro das primeiras três temporadas na NBA. O francês de 2,24 metros tem sido a figura de uns Spurs que chegaram aos playoffs pela primeira vez em sete anos e leva médias de 25 pontos, 11,5 ressaltos e 3,1 bloqueios por jogo.
“Estou super, super feliz por ganhar este prémio e muito orgulhoso por ser o primeiro vencedor unânime”, limitou-se a dizer o jovem francês em declarações à NBC, merecendo elogios mais vastos de Dirk Nowitzki, lenda dos Dallas Mavericks que está no Hall of Fame da NBA. “Nunca vi ninguém parecido com ele. É tão bom a defender que muda o jogo pelo simples facto de estar em campo”, referiu o alemão, que foi campeão em 2011.
Natural de Le Chesnay, a cerca de 17 quilómetros do centro de Paris, Victor Wembanyama começou por dar nas vistas em França antes de saltar para os EUA. Quando ainda estava nas camadas jovens do Nanterre 92, em 2018, chegou a ser convidado para treinar com os Sub-14 do Barcelona e disputou um torneio com os catalães, recebendo depois uma proposta para ficar em Espanha e continuar lá a carreira. Recusou, alegando que os treinadores dos blaugrana não o desafiavam, e voltou a França.
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Chegou à equipa principal no Nanterre 92, passou pelo Centre Fédéral e pelo ASVEL e foi no Metropolitans 92, quando já estava a jogar na divisão principal, nas competições europeias e na seleção francesa, que impressionou num jogo de exibição contra os League Ignite, uma equipa de desenvolvimento que atuava na G-League da NBA. Em 2023, depois de se declarar elegível para o draft, foi a primeira escolha dos San Antonio Spurs e tornou-se apenas o segundo jogador europeu a merecer essa distinção (depois do italiano Andrea Bargnani, em 2006, que foi para os Toronto Raptors).
Na época de estreia e apesar de os Spurs não terem chegado aos playoffs, Wembanyama foi eleito o rookie do ano — também de forma unânime — e ficou no segundo lugar do DPOY que agora venceu, apenas atrás do também francês Rudy Gobert. Já em 2024/25, ano em que mereceu a primeira seleção para os All Star e já era o principal favorito a levar o DPOY, acabou por ser traído por uma trombose no ombro que o obrigou a falhar os últimos meses da temporada.
2025/26, portanto, já é a melhor época de Victor Wembanyama na NBA. Antes de a temporada começar, o francês passou dez dias a estudar artes marciais no Mosteiro de Shaolin, o templo budista na China onde o kung fu foi criado. Recuperou energias e motivação depois da difícil lesão do início do ano passado e regressou em força, alcançando os melhores registos da carreira, levando os San Antonio Spurs aos playoffs e fazendo desde já o que nunca ninguém tinha feito no DPOY. Entretanto, também já é um dos três finalistas do MVP, ao lado de Nikola Jokic, dos Denver Nuggets, e Shai Gilgeous-Alexander, dos Oklahoma City Thunder.
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