O Governo britânico vai divulgar milhares de mensagens internas trocadas entre ministros, funcionários e o antigo embaixador nos Estados Unidos, Peter Mandelson. No entanto, de acordo com o jornal Politico, o Executivo de Keir Starmer deverá ocultar os comentários considerados mais sensíveis sobre o Presidente norte-americano, Donald Trump, para evitar danos nas relações diplomáticas entre os dois países.
A divulgação de e-mails, mensagens de texto e mensagens no WhatsApp resulta de uma moção aprovada no parlamento em fevereiro, que obrigou o Governo a divulgar os documentos relacionados com a ligação de Mandelson ao caso de Jeffrey Epstein, o criminoso sexual que se suicidou na prisão em 2019.
Inicialmente, Starmer pretendia ocultar qualquer conteúdo considerado sensível para a segurança nacional ou para as relações externas. Porém, perante a oposição de vários deputados, o Governo recuou e aceitou remeter esses documentos para análise da Comissão de Informação e Segurança do parlamento britânico, que terá a decisão final sobre o que será divulgado.
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Ainda assim, segundo várias fontes, a comissão deverá eliminar conteúdos que considere prejudiciais para as relações internacionais, incluindo comentários sobre chefes de Estado estrangeiros ou referências a políticas de segurança de outros países. “Tem de haver uma forma de impedir que discussões diplomáticas sejam tornadas públicas”, afirmou um ministro ao Politico, sob anonimato.
Entre os diplomatas, existem preocupações quanto ao conteúdo que poderá vir a público. Uma das questões já identificadas foi a descoberta de que Mandelson não terá passado nos testes de segurança antes da sua nomeação, facto que, segundo o próprio Starmer, não lhe foi comunicado.
https://observador.pt/2026/04/20/nao-devia-ter-nomeado-peter-mandelson-starmer-enfrenta-parlamento-assume-erro-pede-desculpa-e-afasta-demissao/
O primeiro-ministro afirmou esta segunda-feira, perante o parlamento, que só teve conhecimento de que Peter Mandelson não tinha passado nos testes de verificação de antecedentes na última terça-feira à noite, garantindo que caso soubesse, não o teria nomeado para o cargo.
Apesar das preocupações sobre o conteúdo que irá ser revelado, é expectável que parte das mensagens revele opiniões privadas e potencialmente embaraçosas para membros do Governo e do Partido Trabalhista. O presidente da comissão, Kevan Jones, já afirmou que informações meramente embaraçosas, mas sem impacto na segurança nacional, não serão omitidas.