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(A) :: 77% dos eleitores portugueses (e 65% dos que votaram AD) consideram "insuficiente" a resposta do Governo ao custo da guerra do Irão

77% dos eleitores portugueses (e 65% dos que votaram AD) consideram "insuficiente" a resposta do Governo ao custo da guerra do Irão

Descontentamento é transversal a todo o espectro político. Até 65% dos votantes da coligação PSD/CDS criticam as medidas de Montenegro. 58% dos inquiridos já mudaram hábitos face à subida dos preços.

Mariana Carvalho
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Segundo o barómetro DN/Aximage de abril, divulgado na noite de segunda-feira, 77% dos eleitores portugueses consideram “insuficiente” a resposta do Governo à crise desencadeada pelo conflito no Irão, enquanto apenas 15% a declaram “suficiente”. As críticas mais enfáticas têm origem no eleitorado de esquerda, onde a taxa de rejeição ultrapassa os 80% , mas é generalizada até em quem votou na coligação PSD/CDS nas últimas legislativas.

A avaliação é negativa em todo o espetro político, sendo os votantes do partido Livre os mais críticos da resposta do executivo de Luís Montenegro à guerra — 91% opõe-se às medidas do Governo —, face a 65% dos eleitores da coligação no poder PSC/CDS, que apenas 12% dos inquiridos consideram “suficiente”. O estudo, cujos resultados foram publicado pelo Diário de Notícias, sondou a opinião dos portugueses a respeito da guerra no Médio Oriente, em particular sobre a posição geopolítica adotada pelo país e sobre as tentativas de mitigar os efeitos do conflito na economia.

O descontentamento é transversal a todas as classes, idades e regiões do país, ainda que os mais afetados sejam, sem dúvida, as pessoas mais pobres, os jovens e os residentes da Área Metropolitana de Lisboa e do Sul e Ilhas. Apesar disso, é a classe média que reporta maior insatisfação face às medidas do executivo de Luís Montenegro, a qual aumenta em função da idade.

Os inquiridos, todos maiores de 18 anos e residentes em Portugal, revelaram sentir o impacto económico da guerra no seu quotidiano — apenas um mês e meio depois do seu início —, sendo que 58% admitiu ter alterado comportamentos para fazer frente ao aumento dos preços dos combustíveis, enquanto 42%, mantiveram os mesmos. As medidas mais comuns destinadas a cortar nos gastos são a redução do uso do automóvel em deslocações curtas, seguida de cortes em despesas com alguns produtos ou bens e diminuição das idas a restaurantes ou fins de semana fora de casa.

A mobilização da Base das Lajes no esforço de guerra foi o tema que mais dividiu a opinião dos inquiridos, sendo que 48% concordaram com o apoio das operações americanas e 15% admitiram “concordar totalmente” e 40% e 17% das pessoas discordaram ou discordaram “totalmente”.

O barómetro reporta um apoio quase unânime à decisão de Portugal de não participar ativamente no conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, que a maioria dos inquiridos considera não ter justificação suficiente. 72% dos inquiridos rejeitam os argumentos apresentados por EUA e Israel, enquanto apenas 18% os consideram válidos.

https://observador.pt/especiais/governo-foi-cercado-com-criticas-de-insensibilidade-sobre-o-aumento-do-custo-de-vida-socrates-ajudou-na-resposta/

Efetuado entre 10 e 15 de abril, o barómetro não integra dados sobre a opinião pública a respeito das mais recentes medidas aprovadas pelo Governo, as quais se somaram ao pacote no valor de “cerca de 150 milhões de euros por mês” destinado a fazer face ao aumento dos preços dos combustíveis.