Lori Chavez-DeRemer, secretária do Trabalho na administração de Donald Trump, apresentou esta segunda-feira a demissão ao fim de um ano no cargo, anunciou um dos porta-vozes da Casa Branca na rede social X. A decisão da até então secretária do Trabalho surge na mesma altura em que decorre uma investigação interna por alegada má conduta no departamento do Trabalho, avança o The New York Times. Esta é a terceira baixa na administração Trump, após a demissão de Kristi Noem e Pam Bondi.
“A secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer, vai deixar o governo para assumir um cargo no setor privado”, escreveu Steven Cheung, porta-voz da Casa Branca, na rede social X. Neste anuncio, o representante de Washington afirmou ainda que Lori “realizou um trabalho fenomenal, protegendo os trabalhadores americanos, implementando práticas trabalhistas justas e ajudando os americanos a adquirir habilidades adicionais para melhorar as suas vidas”. E acrescentou que Lori Chavez-DeRemer será substituída internamente pelo atual subsecretário da pasta, Keith Sonderling.
https://twitter.com/StevenCheung47/status/2046336343387558053
A decisão surge após várias semanas da governante sob olhar atento do país, principalmente após ser tornado público no início deste mês que Lori Chavez-DeRemer, de 58 anos, era alvo de três denúncias de violação de direitos civis dentro do seu próprio departamento, escreveu na altura o New York Times.
Mas já antes disso tinha sido tornado público a abertura de um inquérito interno em virtude de alegações de má conduta profissional. Segundo escrevia o mesmo jornal, a secretária do Trabalho teria alegadamente usado recursos do departamento para viagens pessoais, além de manter um caso extraconjugal com um dos membros da sua equipa de segurança, que foi entretanto afastado da sua função.
Neste inquérito, que está agora perto de ser concluído, foram ouvidas mais de duas dezenas de antigos e atuais funcionários do departamento do Trabalho, que descreveram a existência de um ambiente de trabalho tóxico, influenciado pela existência de uma chefe ausente, assessores hostis e uma equipa desmoralizada. Testemunhas terão relatado que Lori Chavez-DeRemer gastou mais do que o permitido em questões pessoais, nomeadamente hotéis de luxo, alugueres de carros e refeições.
Além de ouvirem membros atuais e antigos do departamento que Lori liderava até esta segunda-feira, o inquérito inclui também a análise de mensagens de texto de caráter pessoal enviadas pela governante, pelo seu marido e pelo seu pai a membros mais jovens deste gabinete. Segundo as mensagens divulgadas pelo New York Times, a secretária do Trabalho pedia frequentemente que lhe levassem vinho, algo que chegava a acontecer durante o horário de trabalho.
Já o seu pai chegou a pressionar uma das funcionárias para que, da próxima vez que estivesse no estado de Oregon, o avisasse: “Ouvi dizer que estás cá. Gostava que me avisasses. Eu podia ter inventado alguma desculpa para sair do trabalho e mostrar-te a cidade. Por favor, mantém isto entre nós.”
Quanto ao marido da governante, Shawn DeRemer, a situação foi semelhante. Um funcionário pediu-lhe desculpa por não ter entrado em contacto e prometeu que o faria dali em diante. “É bom que sim. Estava a sentir-me esquecido. Mas imaginei que ainda estivesses na igreja a pedir perdão depois de ter estado no estado demoníaco do Oregon.”
Além de Lori Chavez-DeRemer, o seu marido também tem estado sob fogo, após ter sido proibido de entrar no edifício do departamento do Trabalho, em virtude de queixas de assédio sexual apresentadas por algumas das funcionárias deste departamento. A situação acabou por impactar o gabinete da secretária e até a imagem da própria governante da administração Trump.
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