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O Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou esta segunda-feira que existe um “erro de parte a parte” na gestão das tensões no estreito de Ormuz, apontando responsabilidades tanto aos Estados Unidos como ao Irão.
Em conferência de imprensa em Gdansk, na Polónia, Macron defendeu que a decisão norte-americana de manter um bloqueio na região poderá ter levado Teerão a rever a sua posição inicial, classificando a situação como “um erro de ambos os lados”.
O estreito de Ormuz constitui um dos principais pontos de fricção no atual conflito no Médio Oriente, sendo uma rota estratégica para o transporte de energia a nível global.
No fim de semana, o Irão reforçou a sua intenção de restringir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos mantiveram um bloqueio aos portos iranianos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Aguarda-se para esta semana uma potencial segunda ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão, sob mediação do Paquistão. Um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Washington e Teerão está vigor até quarta-feira (22 de abril).
O chefe de Estado francês deverá reunir-se na terça-feira com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, numa altura em que o Líbano permanece sob um frágil cessar-fogo.
Segundo o Palácio do Eliseu (presidência), o encontro servirá para reiterar o compromisso de França com o respeito pelo cessar-fogo, bem como o apoio à integridade territorial e à soberania do Estado libanês, incluindo o seu monopólio sobre o uso da força.
A visita ocorre também após a morte, no sábado, de um militar francês das forças de manutenção da paz da ONU (FINUL), numa emboscada atribuída ao Hezbollah, que provocou ainda três feridos.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel, em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.
No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país.
A situação permanece muito instável no Líbano, onde um frágil cessar-fogo de 10 dias entrou em vigor na quinta-feira, anunciado por Washington após uma reunião, no início da semana, entre os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos, o primeiro encontro deste tipo em décadas.
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