O diretor do FBI, Kash Patel, apresentou um processo de difamação contra a revista norte-americana The Atlantic e a jornalista Sarah Fitzpatrick. A ação judicial, submetida no Tribunal Distrital de Columbia, surge em resposta a uma reportagem que traça um perfil altamente crítico do líder da agência, alegando episódios de “consumo excessivo de álcool e ausências inexplicáveis”. Pela alegada ofensa à sua reputação, Patel exige uma indemnização de 250 milhões de dólares (cerca de 212 milhões de euros).
No centro da discórdia — agora legal — está o artigo originalmente intitulado “O comportamento errático de Kash Patel pode custar-lhe o emprego”, posteriormente renomeado na versão digital para “O diretor do FBI está desaparecido”. A peça sustenta-se em mais de duas dezenas de fontes anónimas para descrever um quotidiano de instabilidade no topo da hierarquia do FBI.
De acordo com a revista, as “noites regadas a álcool” em clubes exclusivos terão forçado o reagendamento de reuniões cruciais de segurança nacional. A reportagem alega ainda que Patel se encontra frequentemente “ausente ou incontactável”, descrevendo episódios de “surtos de pânico” que estariam a comprometer o avanço de investigações de caráter urgente.
A The Atlantic rejeita recuar no que noticiou. Num comunicado oficial divulgado nas redes sociais, a publicação classificou o processo como “sem fundamento” e garantiu que defenderá vigorosamente os seus jornalistas e o rigor da sua investigação. “Mantemos a nossa reportagem sobre Kash Patel e defenderemos vigorosamente a The Atlantic e os nossos jornalistas contra este processo sem fundamento”, lê-se.
https://twitter.com/TheAtlanticPR/status/2046239419422675189
Em declarações ao Politico, os advogados de Patel acusam os repórteres de operarem em “má-fé”. A defesa sustenta que a revista ignorou deliberadamente informações que contrariavam a tese de que o diretor seria “inapto para as suas funções”.
O próprio diretor da agência norte-americana reagiu com dureza, classificando o trabalho jornalístico como uma mentira deliberada. “A reportagem da The Atlantic é uma mentira. Eles receberam a verdade antes da publicação e, mesmo assim, optaram por publicar falsidades”, disse. “Aceitei este cargo para proteger o povo americano e este FBI alcançou a maior redução da criminalidade na história dos EUA. As notícias falsas não vão noticiar isso, e a sua toxicidade jamais prejudicará ou interromperá a nossa missão”, concluiu.
Embora a revista não tenha omitido a defesa de Patel — a sua declaração oficial foi, efetivamente, incluída no corpo da reportagem original —, o diretor do FBI considera que o tempo concedido para o contraditório foi insuficiente. Na ação judicial, Patel alega que o FBI dispôs de menos de duas horas para comentar uma lista de 19 alegações detalhadas. Em resposta à urgência, o seu advogado terá enviado uma missiva à publicação a refutar os pontos apresentados, solicitando um prazo mais alargado para responder e exigindo que a peça não fosse publicada.
[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.
