“Eu não quero estar a trabalhar em ballet ou ópera ou outras coisas do género ‘ei, mantém isto vivo’, apesar de já ninguém querer saber disto”, afirmou o ator Timothée Chalamet numa entrevista durante um evento da Variety e da CNN com o ator Matthew McConaughey, em fevereiro deste ano. As declarações geraram rapidamente controvérsia, com várias vozes ligadas ao teatro, à ópera e ao ballet a contestarem os comentários do ator. Mais recentemente, a atriz Charlize Theron juntou-se às críticas, considerando as declarações de Chalamet “irresponsáveis”.
“Este foi um comentário muito irresponsável sobre duas formas de arte que precisamos de valorizar constantemente porque, sim, enfrentam dificuldades. Mas, daqui a 10 anos, a inteligência artificial será capaz de fazer o trabalho de Timothée, mas não poderá substituir uma pessoa que dança ao vivo no palco”, disse Theron em entrevista ao The New York Times.
A atriz de Mad Max: Fury Road (2015) estudou ballet durante a sua adolescência em Nova Iorque, antes de uma lesão no joelho que a impediu de continuar. “A dança ensinou-me disciplina. Ensinou-me estrutura. Ensinou-me trabalho duro. Ensinou-me a ser forte. É quase abusiva. Houve várias vezes em que tive infeções sanguíneas por causa de bolhas que simplesmente não cicatrizavam. E não tem folga. Estou a falar literalmente de sangrar até ao sapato”, admitiu ao jornal norte-americano. Charlize Theron terá ainda dito que esperava encontrar Challamet “um dia”.
Várias figuras públicas e estrelas de Hollywood, como Sam Taylor-Johnson, Jamie Lee Curtis, Eva Mendes e Helen Hunt, criticaram publicamente as declarações de Timothée Chalamet. Também o Teatro Nacional de São Carlos reagiu ao comentário do ator, num vídeo publicado no Instagram. “O quê? O Timothée Chalamet não quer trabalhar connosco? O que devemos fazer para manter isto vivo? Ninguém quer saber?”, lê-se no vídeo.
Já o cineasta e realizador de ópera italiano Luca Guadagnino, realizador do filme Call Me by Your Name (2017), onde Timothée Chalamet é um dos protagonistas, saiu em defesa do ator, afirmando não compreender “como é que um único comentário pode transformar-se numa polémica planetária”, segundo o The Guardian.
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