No início da temporada era anunciado uma espécie de manual de alterações na Fórmula 1. Mais: era a primeira vez que se registava “uma alteração tão grande”. A expetativa era alta junto das equipas e dos próprios pilotos, mas não passaram nem quatro meses até que uma marcha atrás nas mudanças fosse acertada entre Fórmula 1, Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e os responsáveis das equipas. Essas alterações entram em vigor já a partir da próxima corrida, em Miami, e foram trabalhadas com “um bisturi e não com um taco de basebol”, afirmou esta segunda-feira, à margem da reunião, o líder da Mercedes, Toto Wolff, citado pela BBC, ainda antes de serem anunciados alguns ajustes.
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A inicial “mudança radical e se calhar exagerada” mencionada por João Carlos Costa, jornalista e comentador de Fórmula 1 na DAZN, ao Observador, baseou-se, acima de tudo, em tornar os carros mais leves e mais pequenos e em fazer com que 50% da energia que move os carros fosse elétrica. Também os pneus, que foram reduzidos, e o DRS, drag reduction system, que foi descontinuado, foram outros dos pontos abrangidos nas alterações anunciadas no início da temporada.
O objetivo das mais recentes conversações visavam “melhorar o produto, torná-lo totalmente voltado para corridas e analisar” o que podia “ser aprimorado em termos de segurança”, adiantou Wolff.
As novas alterações abrangem “uma redução na recarga máxima permitida de 8 MJ para 7 MJ”, de forma a baixar “o consumo excessivo de energia e incentivar uma condução mais consistente em velocidade máxima. Essa alteração tem como objetivo reduzir a duração máxima do superclip para aproximadamente dois a quatro segundos por volta”, lê-se na nota. A potência do superclip aumenta ainda dos 250 kW para os 350 kW, registando-se uma redução do “tempo de recarga e a carga de trabalho do piloto na gestão de energia”. Esta alteração estratégica não só reduz o tempo que os carros passam a recarregar baterias, como também diminui a carga de trabalho do piloto no que toca à gestão energética, permitindo que o foco total recaia na performance máxima por volta. Além disso, a flexibilidade regulamentar aumentou, permitindo que limites de energia mais baixos sejam aplicados em 12 circuitos (em vez de 8), adaptando-se melhor às características específicas de cada circuito.
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No que concerne à segurança, há uma medida desenhada “para reduzir velocidades de aproximação excessivas, mantendo simultaneamente as oportunidades de ultrapassagem”.
As condições de chuva também foram alvo de atenção. A temperatura das mantas térmicas para pneus intermédios será aumentada para garantir uma aderência inicial superior, “respondendo ao feedback dado pelos pilotos”. A entrega de binário do sistema ERS (a parte elétrica do motor), será ainda “reduzida em condições de baixa aderência para melhorar o controlo do carro” e o sistema de luzes traseiras “foi simplificado para oferecer sinais visuais mais claros, melhorando o tempo de reação dos pilotos em cenários de visibilidade reduzida”.
As negociações trilaterais surgiram depois de uma sequência de acontecimentos relativos às novas regulamentações da Fórmula 1. Um dos últimos foi quando Max Verstappen se referiu ao Campeonato do Mundo como “Fórmula E em esteróides”, por considerar os motores dos monovolumes elétricos com a ajuda de combustível e não o contrário. “Começo a pensar se vale a pena. Será que não gosto mais de estar em casa com a minha família? De ver os meus amigos mais vezes, já que não estou a aproveitar o meu desporto?“, lançou o piloto em entrevista à BBC, antes do Grande Prémio do Japão.
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Outro dos mais recentes acontecimentos foi a contestação vinda dos fãs, com a própria Fórmula 1 a apagar comentários e críticas às novas regulamentações, depois de concluído o Grande Prémio da Austrália.
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Agora, para fazer face à contestação vinda da pista e das bancadas, as “propostas ratificadas serão submetidas a uma votação eletrónica no Conselho Mundial de Desporto Automóvel da FIA”, com previsão de implementação imediata para o Grande Prémio de Miami, agendado para o início de maio.
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