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"Não devia ter nomeado Peter Mandelson". Starmer enfrenta parlamento, assume erro, pede desculpa e afasta demissão

Líder britânico garante que desconhecia chumbo de Mandelson no teste para o cargo de embaixador, mas assume responsabilidade e pede desculpa às vítimas de Epstein que foram prejudicadas pela decisão.

Manuel Nobre Monteiro
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou esta segunda-feira que só teve conhecimento de que Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, não tinha passado nos testes de verificação de antecedentes na última terça-feira à noite, garantindo que caso soubesse, não o teria nomeado para o cargo.

“No cerne desta questão está também uma decisão errada que tomei. Não devia ter nomeado Peter Mandelson [para embaixador nos EUA]. Assumo a responsabilidade e peço desculpa, mais uma vez, às vítimas do pedófilo Jeffrey Epstein, que foram claramente prejudicadas pela minha decisão”, declarou no parlamento perante os deputados, ignorando os pedidos da oposição para se demitir.

“Se soubesse, antes de ele assumir o cargo, que a recomendação da UKSV [Comissão de Avaliação de Segurança do Reino Unido] era de que a avaliação de segurança aprofundada deveria ser recusada, não teria avançado com a nomeação”, explicou.

https://twitter.com/SkyNews/status/2046248538812662101

Recentemente, foi revelado que Peter Mandelson reprovou no controlo de segurança inicial da UK Security Vetting para o cargo de embaixador britânico nos Estados Unidos, uma decisão que terá sido anulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros através de um mecanismo raramente utilizado para garantir a sua nomeação.

O primeiro-ministro sublinhou, perante os deputados, que a decisão não lhe foi comunicada, nem ao ministro dos Negócios Estrangeiros, nem à vice-primeira-ministra, nem a qualquer outro membro do Governo ou mesmo ao secretário do gabinete. “Achei isto chocante”, afirmou.

https://observador.pt/2026/04/16/mandelson-chumbou-no-teste-de-verificacao-de-antecedentes-para-ser-embaixador-nos-eua-governo-anulou-decisao-e-deu-luz-verde-a-nomeacao/

O líder trabalhista procurou, durante o seu discurso, contextualizar o caso, defendendo que, à data, era habitual que “as verificações de segurança ocorressem após a nomeação, mas antes de a pessoa assinar o contrato e assumir o cargo“. Citou, para explicar o processo, as declarações de Chris Wormald, antigo responsável máximo da função pública, segundo as quais este era o procedimento normal para nomeações externas.

Ainda assim, Starmer reconheceu que o sistema foi entretanto alterado na sequência do caso, passando a exigir que todas as verificações sejam concluídas antes do anúncio de qualquer nomeação.

O primeiro-ministro acrescentou que Olly Robbins, o secretário do gabinete dos Negócios Estrangeiros entretanto demitido, deveria ter sido informado da avaliação negativa. “Não aceito, de todo, que não pudesse ter sido informado. Podia e devia ter sido”, afirmou.

“É inacreditável que, ao longo de toda esta sequência de acontecimentos, os funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros tenham considerado apropriado ocultar estas informações aos ministros de mais alto nível do nosso sistema governamental”, sublinhou.

Questionado sobre a existência de outras nomeações políticas no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Starmer admitiu que não dispõe de qualquer informação sobre o tema.

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