(c) 2023 am|dev

(A) :: Portugueses vão menos ao supermercado online e preferem marcas próprias. Geração Z impulsiona o pronto a comer

Portugueses vão menos ao supermercado online e preferem marcas próprias. Geração Z impulsiona o pronto a comer

Os produtos de marca própria são mais populares entre os consumidores portugueses do que na maior parte dos países europeus. Ao contrário do que acontece com as compras de mercearias online.

Ana Sanlez
text

As vendas de bens alimentares em Portugal cresceram mais em Portugal em 2025 do que a média europeia. O mercado alimentar em Portugal cresceu 5,2% no ano passado, acima dos 3,1% registados na Europa. Um estudo publicado esta terça-feira revela ainda que os consumidores portugueses compram mais produtos de marca própria do que os restantes europeus e que, também em sentido contrário à Europa, estão a afastar-se da compra de mercearias online.

Segundo o estudo The State of Grocery Retail 2026: Europe, feito pela McKinsey e a EuroCommerce sobre o retalho em 2025 e divulgado esta terça-feira, houve um crescimento em termos reais (+2,3%) “o que indica uma recuperação efetiva do consumo, para além do efeito inflacionista”. Ainda assim, notou-se que em termos de volume houve uma contração, de -0,5%, quando no resto da Europa houve crescimento (+0,6%).

No ano passado, o tamanho do cabaz de compras dos portugueses aumentou 1,5%, o que contrasta com a quebra europeia (-1,8%), ao passo que a frequência das compras diminuiu -2,1%, tendo aumentado 2,4% nos países europeus incluídos no estudo.

Um dos elementos mais distintivos do mercado português é o peso das marcas próprias, que representam 47,7% das vendas, acima da média europeia de 40%. “Este posicionamento confirma Portugal como um dos mercados mais avançados da Europa nesta dimensão”, conclui o estudo. Só o Reino Unido, com 51,8%, ultrapassa Portugal.

A McKinsey e a EuroCommerce concluem ainda, sobre Portugal, que o canal de compras online “regista uma quebra significativa, de -13,9%, o que contrasta com o crescimento observado na Europa” de +6,8%. Portugal foi o país onde o online mais encolheu em 2025, seguido pela Suécia (11,1%). Em Espanha houve uma quebra ligeira (-1,7%) mas em todos os outros países incluídos no estudo a opção pelo online aumentou. Na República Checa, por exemplo, cresceu 24,4%. Perto de metade dos europeus não opta, em nenhuma situação, por este canal de compra na hora de ir ao supermercado.

Também se conclui que as lojas onde os europeus fazem compras online não são as mesmas que frequentam presencialmente.

Ainda sobre Portugal, o estudo refere uma “contração acentuada”, de -4,3%, do segmento de discounters, os retalhistas que vendem mais marcas próprias a preços mais baixos, e que na Europa estão a crescer (+5%).

Por outro lado, está a crescer o chamado food service (+2,8%), ou seja, a compra de refeições prontas, ainda que menos do que a média europeia (+4,3%). De acordo com os autores do estudo, este crescimento está a ser impulsionado pela geração Z (pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012), em que 82% dos consumidores optam pelo menos uma vez por mês por estas refeições prontas e 47% fazem-no uma vez por semana. Entre os millennials, a geração anterior, 40% compram estas refeições pelo menos uma vez por semana e 32% entre uma e três vezes por mês.

A nível europeu, as vendas de bens alimentares cresceram 3,4%, um valor que compara com os 2,4% do ano anterior. Foram “impulsionadas por uma inflação de 2,9% nos preços e por um aumento de volume de 0,6%, registando assim crescimento em termos reais – ajustado à inflação – pelo segundo ano consecutivo”, diz o relatório.