Desde 2021 e de tudo o que aconteceu em Tóquio que a carreira de Simone Biles se tornou uma incerteza. Depois do sucesso absoluto no Rio de Janeiro e da fase complexa que a impediu de estar em quase todas as finais no Japão, a ginasta norte-americana demorou a confirmar que estaria em Paris. Agora, aparentemente, parece estar a repetir a mesma lógica com Los Angeles.
À margem dos Laureus World Sports Awards, a cerimónia que premeia os melhores atletas do ano em várias categorias e que vai decorrer esta segunda-feira em Madrid, Simone Biles falou com o jornal Marca e não garantiu que vai competir nos Jogos Olímpicos de 2028. De recordar que, em Paris e depois de todas as dificuldades em Tóquio, a norte-americana conquistou o ouro no all around, no cavalo e na prova por equipas, ficando com a prata apenas no solo e atrás da brasileira Rebeca Andrade.
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“Ainda não tenho certezas sobre a maneira como vou estar lá, se será a competir ou na bancada. Mas sim, espero estar”, disse a norte-americana que tem atualmente 29 anos, ou seja, vai chegar a Los Angeles já com 31 anos. Na mesma entrevista, Simone Biles reconheceu que tem tido uma carreira “com altos e baixos”, mas não deixou de vincar todo o sucesso que teve na última década — tornando-se mesmo, com 11 medalhas olímpicas e outras 30 em Mundiais, a ginasta mais medalhada de sempre.
“Estou muito agradecida. Não mudava nada, porque acredito que foi todo este caminho que me converteu na pessoa que sou hoje. Claro que quando era mais nova era tudo um pouco assustador. Mas à medida que fui crescendo e tornando-me mais madura também aprendi a gerir tudo um pouco melhor. Tive de procurar ajuda externa, como terapia, porque é certo que somos atletas e somos muito talentosos e bem sucedidos fisicamente, mas também temos de garantir que a nossa mente está à altura”, explicou, elaborando um pouco mais sobre os momentos mais difíceis.
“Os fracassos foram duros, mas tenho uma grande equipa à minha volta que me ensinou e ajudou a atravessar essas lições difíceis. Houve muitas lágrimas nessas quedas, mas também há sempre uma história bonita que aparece a partir daí”, contou. Mais à frente, Simone Biles revelou ainda que o melhor conselho que alguma vez recebeu foi da mãe, para ser “a melhor versão da Simone” em todos os momentos, e que o melhor conselho que já deu foi simplesmente para que a jovens ginastas se divirtam durante as competições.
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Sobre os Jogos Olímpicos de Paris, a norte-americana recordou que tinha noção de que o mundo inteiro estava à espera de a ver. “Claro que tinha objetivos que queria alcançar, mesmo que não tenha alcançado todos, e estou muito agradecida por ter podido voltar e competir outra vez, com confiança. Foi mesmo um sonho tornado realidade, consegui fazer algumas coisas que achava que nunca conseguiria voltar a fazer. Não posso mesmo queixar-me. E ter o mundo inteiro a acompanhar-me nesse processo também significou muitíssimo para mim”, atirou, deixando ainda uma ideia do que espera do próprio futuro.
“Continuar a quebrar barreiras, ser uma luz, ter voz no desporto e usá-la como uma plataforma para o bem, porque só assim podemos alcançar qualquer coisa. Estou muito entusiasmada para ver onde me leva o desporto a partir de agora”, terminou.