Mais de 70% das moradias nos concelhos da Marinha Grande e de Leiria tiveram danos pela passagem da tempestade Kristin, segundo contas divulgadas pela Fidelidade, indicando que também o impacto nas empresas foi grande.
Os seguros contabilizam em 1.100 milhões de euros os danos causados pelo comboio de tempestades, que estavam seguros. Dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), na semana passada, apontam para a entrada nas seguradoras de 193 mil participações de sinistros,
com a estimativa de danos indemnizáveis a atingir 1.086 milhões de euros. Já foram pagos ou adiantados 359 milhões de euros. 106 mil sinistros ou cerca de 55% já se encontram encerrados ou com adiantamentos efetuados, indicava ainda a APS na semana passada.
Numa conferência realizada pela Proforum – Associação Para o Desenvolvimento da Engenharia sobre gestão do risco em infraestruturas críticas, Rui Esteve, diretor da Fidelidade, apontou para os dados significativos de danos, realçando que se o Kristin tivesse atingido uma área de 150 quilómetros mais a sul, “iríamos ter, provavelmente, quatro vezes mais sinistros e danos e muito mais pessoas expostas às consequências deste evento, isto como sinal de alerta de que temos de levar estes exemplos a sério, não só pelas principais consequências que teve, mas também como preparação para o futuro”.
Quanto às empresas, indica que mais de 50% tiveram danos naquela zona, em particular as industriais, e no concelho da Marinha Grande, por exemplo, nas empresas com mais de 10 empregados e com atividade industrial cerca de 90% tiveram danos.
O mesmo responsável aponta, ainda, que “muitas empresas continuam hoje sem seguros”. Entre 1 e 3 trabalhadores, apenas 34% têm seguros multi-riscos; entre 4 e 10 trabalhadores são 51%; entre 11 e 20 são 65%; entre 21 e 50 são 76%; e entre 51 e 100 são 85%.
À medida que crescem de dimensão, há maior proporção com seguros, mas há uma “parte importante do nosso tecido empresarial que está vulnerável”, nomeadamente, quando “pensamos em estruturas relacionadas com a interrupção do negócio, onde menos de 10% das empresas têm coberturas focadas na interrupção do negócio”. “Proteger as infraestruturas críticas é estrategicamente necessário e fulcral”, conclui o responsável da Fidelidade.
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