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(A) :: Digressão europeia de Kanye West sofre mais um revés após o Basileia recusar ceder o estádio ao rapper. Data em Portugal continua de pé

Digressão europeia de Kanye West sofre mais um revés após o Basileia recusar ceder o estádio ao rapper. Data em Portugal continua de pé

Caso sucede-se ao cancelamento de concertos no Reino Unido, França e Polónia devido ao historial de antissemitismo do artista. Promotor português garante que atuação vai para a frente no Algarve.

Agência Lusa
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António Moura dos Santos
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O FC Basel — também conhecido por Basileia junto do público português — confirmou hoje que não vai permitir a realização de um concerto do rapper norte-americano Kanye West no seu estádio, St. Jakob Park, considerando que o comportamento do músico não corresponde aos seus valores.

O clube suíço disse hoje à Efe que a proposta para a realização do concerto foi recebida e avaliada, mas, “após uma análise minuciosa”, a decisão foi a de não avançar. A decisão foi tomada pelo emblema no sábado e confirmada hoje à agência espanhola.

“Não podemos, de acordo com os nossos valores, oferecer um palco ao artista em questão”, afirmou o clube de Basileia, acrescentando que continua interessado em disponibilizar o estádio, o maior do país, para outros concertos e eventos futuros.

De destacar que, segundo a lista de datas adiantada pelo artista, esta atuação — que, segundo a imprensa suíça, deveria ocorrer a 26 de junho — ainda não tinha sido confirmada, tratando-se assim de uma rejeição para marcar o concerto de Kanye West e não um cancelamento de um evento já fechado.

A Suíça torna-se assim o quarto país europeu em que o rapper se vê impedido de atuar na sequência das suas declarações antissemitas e pró-nazis, de que já se retratou, com este revés a ocorrer apenas três dias após outro concerto ter sido cancelado na Polónia após críticas feitas ao artista pelo governo polaco. Previsto para 19 de junho no estádio de Chorzow, no sul do país, o gerente do estádio anunciou a 17 de abril que a atuação “não terá lugar por razões de ordem jurídica e administrativa“.

França e Reino Unido são os outros países europeus onde os concertos do rapper foram cancelados ou adiados.

West foi mesmo proibido de entrar no Reino Unido, no início do mês, devido a declarações antissemitas que fizera previamente, o que levou ao cancelamento do Festival Wireless, em que era cabeça de cartaz. O caso mereceu comentário do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que afirmou que “Kanye West nunca deveria ter sido convidado para ser a atração principal do Wireless”.

Em França, onde tinha marcado um concerto para Marselha em 11 de junho, West decidiu adiar a data, “até novos desenvolvimentos”, depois de o ministro francês do Interior, Laurent Nunez, se ter manifestado contra a realização do concerto, na semana passada.

Na altura, West escreveu na rede social X: “Sei que leva tempo a perceber a sinceridade do meu compromisso em reparar o que fiz. Assumo total responsabilidade pelo que é meu, mas não quero pôr os meus fãs no meio disto. Os meus fãs são tudo para mim. Estou ansioso pelos próximos espetáculos. Vemo-nos no topo do mundo”.

A digressão europeia anunciada pelo músico, que inclui um concerto no Estádio do Algarve em 7 de agosto, tem assim a sua viabilidade cada vez mais em causa, resumindo-se neste momento a atuações na Turquia, Países Baixos, Itália, Espanha e Portugal.

O executivo português ainda não se manifestou a respeito da entrada do artista no país, sendo que, conforme o Observador perguntou junto do advogado José Gaspar Schwalbach, dificilmente o enquadramento legal português viabilizaria a proibição de ingresso em território nacional, ainda que o enunciado da lei permita diferentes interpretações.

https://observador.pt/2026/04/12/depois-de-proibicao-de-atuar-no-reino-unido-concerto-de-kanye-west-em-portugal-pode-estar-em-risco-pelo-contrario-garante-promotor/

Segundo o que a promotora portuguesa responsável pelo evento adiantou ao Observador em notícia publicada a 12 de abril, o mesmo deverá ter lugar nas condições previstas. Josué Pires, CEO da Guest, recusou cancelar o concerto — “pelo contrário” —, apesar de reconhecer o “contexto mediático” particular ao músico, que a promotora admite gerir com “responsabilidade e profissionalismo”.

O Estádio do Algarve alinhou também pelo mesmo posicionamento da promotora, admitindo que, naquilo que depender da sua administração, não deve interferir na concretização do concerto do músico em território nacional.

No entanto, estas questões foram colocadas aos responsáveis pela atuação de Kanye West em Portugal antes dos subsequentes cancelamentos em França, Polónia e Suíça. Em resposta ao Observador esta tarde, Josué Pires reafirma que o concerto, até nota em contrário, deverá mesmo ocorrer em solo português, frisando partilhar do posicionamento já comunicado pelos promotores espanhóis e neerlandeses.

O rapper causou indignação após não só publicar imagens de suásticas nas redes sociais e proferir várias declarações incendiárias de conteúdo antissemita e apologista do nazismo, como também ter lançado músicas como Heil Hitler em 2025 e ter tentado vender t-shirts com simbologia nazi num site entretanto removido. Em 2022, foi suspenso da série X-Men pelos seus comentários ofensivos.

Em janeiro, o rapper pediu desculpa num anúncio no Wall Street Journal, afirmando que “não era nazi nem anti-semita” e que o seu comportamento se devia a um episódio bipolar. “ O artista alegou posteriormente que as suas ações resultaram de uma crise de saúde mental e de episódios bipolares, pelos quais pediu desculpas públicas.

*Notícia atualizada às 17:04 — Corrige a informação de que o concerto de Kanye West foi cancelado, esclarecendo que foi uma atuação que ainda estava por confirmar

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. 

[Notícia atualizada às 17:04 — Corrige a informação de que o concerto de Kanye West foi cancelado, esclarecendo que foi uma atuação que ainda estava por confirmar]