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(A) :: Elon Musk falha audição na justiça francesa sobre a alegada má conduta na rede social X

Elon Musk falha audição na justiça francesa sobre a alegada má conduta na rede social X

Após buscas nas instalações do X em Paris, o Ministério Público convocou Musk e a ex-CEO Linda Yaccarino para "audições livres". Em causa está a alegada manipulação do algoritmo e as deepfakes.

Manuel Nobre Monteiro
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Elon Musk não compareceu esta segunda-feira perante a justiça francesa, no âmbito de uma investigação para apurar alegações de má conduta relacionadas com a plataforma social, informou o Ministério Público francês, contactado pela agência France Presse (AFP).

“O Ministério Público toma nota da ausência das primeiras pessoas convocadas”, sublinhou, sem mencionar o nome do multimilionário norte-americano, antes de acrescentar que “a sua presença ou ausência não constitui um obstáculo à prossecução das investigações”.

A notificação para comparecer em tribunal surgiu depois de terem sido realizadas buscas nas instalações francesas do X, em fevereiro deste ano. A operação esteve relacionada com várias denúncias sobre o algoritmo do X e o conteúdo que recomenda, fazendo parte dos esforços do Ministério Público para garantir que a plataforma está em conformidade com as leis francesas.

https://observador.pt/2026/02/03/escritorios-da-rede-social-x-em-paris-alvo-de-buscas-ministerio-publico-quer-ouvir-elon-musk-em-audicoes-livres/

Elon Musk e Linda Yaccarino, antiga diretora-geral da rede, foram convocados para “audições livres” na “qualidade de gestores de facto e de direito da plataforma X ao tempo dos factos”, adiantou a procuradora Laure Beccuau, citada pelo mesmo jornal francês. Além de Musk e Yaccarino, vários funcionários da plataforma X também foram convocados.

Em julho de 2025, o Ministério Público de Paris tinha aberto uma investigação por suspeita de manipulação do algoritmo da plataforma para permitir ingerência estrangeira. Desde então, as investigações foram alargadas a outras infrações, incluindo cumplicidade na detenção e difusão de imagens de menores com caráter de pornografia infantil, deepfakes (manipulação de imagens e áudio) de caráter sexual e negacionismo.

https://observador.pt/2025/07/11/franca-abre-investigacao-a-rede-x-por-suspeita-de-ingerencia-estrangeira/

A decisão foi tomada depois de terem sido recebidos dois relatórios, a 12 de janeiro de 2025, que “relatavam a alegada utilização do algoritmo da X para ingerência estrangeira”, explicou a procuradora.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla inglesa) reagiu aos pedidos dos magistrados franceses queixando-se de uma iniciativa que, na sua opinião, pretende arrastar os Estados Unidos para um processo penal “com forte conotação política”.

Numa carta dirigida ao Ministério da Justiça francês, divulgada pelo Wall Street Journal, o DOJ queixa-se de que o objetivo por trás destas medidas dos magistrados é forçar uma regulamentação indesejada das “atividades comerciais de uma plataforma de redes sociais”.

Também o fundador do Telegram, Pavel Durov, alvo de outro processo judicial devido à atividade da sua rede social, manifestou apoio a Musk, salientando que “a França de (Emmanuel) Macron perde legitimidade ao instrumentalizar investigações criminais para reprimir a liberdade de expressão e a privacidade”.

O Ministério Público, que tinha justificado o processo para garantir que a X cumpre as leis francesas, explicou que a convocatória a Musk se destinava a permitir-lhe apresentar a sua versão dos factos e que, caso não comparecesse, isso não impedirá que a investigação siga o seu curso.