Encontrar o autor certo terá levado anos. Com o tempo, nomes como Simon Sebag Montefiore, Lord Roberts de Belgravia ou David Cannadine foram sendo atirados para o espaço público, mas a especulação pode por fim ser enterrada. O Rei Carlos III já tornara público o desejo de ter uma autora feminina ao leme desta missão e admitiu que estariam em curso conversações com Anna Keay. Este fim de semana, confirmou-se que a historiadora de 53 anos é a eleita para escrever a biografia oficial da rainha Isabel II, cujo centenário de nascimento se assinala por estes dias.
A afinidade de Keay com o circuito real é inegável. Formada em História Moderna pela Universidade de Oxford, é autora de vários livros históricos sobre a monarquia britânica. Uma de suas obras mais célebres, de 2023, é o retrato que traça sobre a Grã-Bretanha após a Guerra Civil, The Return: Britain Without a Crown, que lhe valeu o prémio Duff Cooper de não-ficção. Assinou ainda The Crown Jewels (2012), uma história das joias da coroa da Idade Média; The Magnificent Monarch: Charles II and the Ceremonies of Power (2008); e The Last Royal Rebel (2016), uma biografia de James, Duque de Monmouth.
A historiadora, que passou sete anos como curadora assistente dos Palácios Reais Históricos, sendo responsável por Hampton Court, a Casa de Banquetes em Whitehall e a Torre de Londres, irá entrevistar os principais membros da família real britânica, e ainda amigos e empregados que privaram com a antiga soberana. De forma inédita, terá também acesso aos documentos pessoais e oficiais da antiga monarca britânica mantidos nos arquivos reais, permitindo construir um perfil de maior proximidade de Isabel II, entre os grandes arcos do seu longo reinado e 70 anos e o reduto mais íntimo.
“Estou profundamente grata a sua majestade o Rei por me confiar esta responsabilidade e por me dar acesso aos seus documentos, e farei tudo o que puder para fazer justiça à sua vida e trabalho.”, comentou a administradora da Royal Collection Trust e membro do Memorial Rainha Isabel II.
Segundo o The Telegraph, Carlos III, ele próprio um prolífico escritor de cartas, está ciente da dimensão e valor do espólio deixado pela mãe. Isabel II foi conhecida por cultivar um diário escrito à mão, mantendo o hábito de o alimentar 15 minutos todas as noites, prática que preferia às entrevistas gravadas.
Ao longo dos anos, e de forma não oficial, foram chegando aos escaparates vários títulos sobre diferentes fases de Isabel II, como The Last Queen: Elizabeth II’s Seventy Year Battle to Save the House of Windsor”, de Clive Irving (2021), Elizabeth & Margaret: The Intimate World of the Windsor Sisters, de Andrew Morton (2021), ou ainda Queen of Our Times: The Life of Queen Elizabeth II, de Robert Hardman (2022). Falta apurar, entre outros aspetos, quando e de que forma a monumental empreitada irá chegando ao mercado. Em momentos anteriores, alguns historiadores sugeriram que a biografia poderá ser dividida em múltiplos volumes, que arrancariam com os primeiros anos do reinado.