Peter Mandelson, antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, terá sido alvo dos serviços de informações russos ao longo de várias décadas. Segundo o The Telegraph, que cita várias fontes, o trabalhista era considerado uma pessoa de interesse relevante para Moscovo, tendo sido repetidamente visado em operações de controlo e vigilância.
Este histórico, adiantam as fontes, já era conhecido nos círculos de segurança britânicos antes de o primeiro-ministro, Keir Starmer, o nomear como embaixador do Reino Unido em Washington. Ainda assim, Mandelson foi escolhido para o cargo, apesar de os relatórios de verificação de antecedentes terem sinalizado ligações à Rússia e à China.
O interesse do Kremlin terá sido intensificado em 2004, altura em que Mandelson assumiu funções como comissário europeu do Comércio. Além disso, os serviços secretos russos terão acompanhado de perto a sua relação com Jeffrey Epstein, o empresário que se suicidou em 2019 numa prisão em Nova Iorque enquanto aguardava pelo julgamento por tráfico sexual de menores.
https://observador.pt/2026/02/04/policia-metropolitana-abre-investigacao-criminal-a-peter-mandelson-por-passar-informacoes-privilegiadas-a-jeffrey-epstein/
Fontes da segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido admitem que Epstein não seria um agente russo, mas poderá ter funcionado como um ativo útil para as secretas de Moscovo devido à rede de contactos de figura influentes, incluindo potenciais alvos como Mandelson.
Os relatórios destacaram, ainda, a participação do ex-embaixador britânico na empresa Sistema, acionista de uma companhia de defesa russa associada a tecnologia de alerta precoce de mísseis. O presidente da Sistema era aliado de Vladimir Putin, sendo que Mandelson manteve funções na empresa até 2017, três anos depois da anexação da Crimeia pela Rússia.
Há também referência à ligação de Mandelson com Oleg Deripaska, oligarca e empresário russo fundador do gigante do alumínio Rusal. Emails divulgados indicam, ainda, que a consultora Global Counsel, de Mandelson, terá procurado fazer negócios com a Rusnano, fundo tecnológico estatal russo.
As relações com a China também foram apontadas como fator de risco reputacional. A Global Counsel terá prestado aconselhamento estratégico à Canyon Bridge, empresa chinesa impedida de fazer negócio com os Estados Unidos por razões de segurança nacional, e fez lobby junto do Governo britânico em nome de empresas como a Shein e o TikTok.
https://observador.pt/2026/04/17/absolutamente-furioso-starmer-diz-que-nao-sabia-que-mandelson-tinha-chumbado-no-teste-de-seguranca-para-ser-embaixador-nos-eua/
Recentemente, foi revelado que Peter Mandelson reprovou no controlo de segurança inicial da UK Security Vetting para o cargo de embaixador britânico nos Estados Unidos, uma decisão que terá sido anulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros através de um mecanismo raramente utilizado para garantir a sua nomeação. Em resposta, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou estar “absolutamente furioso” e garantiu que nem ele nem os seus ministros foram informados desta situação, classificando a ocultação da informação como “imperdoável e chocante”.