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(A) :: Peter Mandelson terá sido alvo dos serviços secretos russos durante várias décadas

Peter Mandelson terá sido alvo dos serviços secretos russos durante várias décadas

Rússia terá intensificado interesse quando Mandelson assumiu funções na UE, em 2004. Ligação a Moscovo já era conhecida em Londres e, mesmo assim, Starmer nomeou-o como embaixador britânico nos EUA.

Manuel Nobre Monteiro
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Peter Mandelson, antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, terá sido alvo dos serviços de informações russos ao longo de várias décadas. Segundo o The Telegraph, que cita várias fontes, o trabalhista era considerado uma pessoa de interesse relevante para Moscovo, tendo sido repetidamente visado em operações de controlo e vigilância.

Este histórico, adiantam as fontes, já era conhecido nos círculos de segurança britânicos antes de o primeiro-ministro, Keir Starmer, o nomear como embaixador do Reino Unido em Washington. Ainda assim, Mandelson foi escolhido para o cargo, apesar de os relatórios de verificação de antecedentes terem sinalizado ligações à Rússia e à China.

O interesse do Kremlin terá sido intensificado em 2004, altura em que Mandelson assumiu funções como comissário europeu do Comércio. Além disso, os serviços secretos russos terão acompanhado de perto a sua relação com Jeffrey Epstein, o empresário que se suicidou em 2019 numa prisão em Nova Iorque enquanto aguardava pelo julgamento por tráfico sexual de menores.

https://observador.pt/2026/02/04/policia-metropolitana-abre-investigacao-criminal-a-peter-mandelson-por-passar-informacoes-privilegiadas-a-jeffrey-epstein/

Fontes da segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido admitem que Epstein não seria um agente russo, mas poderá ter funcionado como um ativo útil para as secretas de Moscovo devido à rede de contactos de figura influentes, incluindo potenciais alvos como Mandelson.

Os relatórios destacaram, ainda, a participação do ex-embaixador britânico na empresa Sistema, acionista de uma companhia de defesa russa associada a tecnologia de alerta precoce de mísseis. O presidente da Sistema era aliado de Vladimir Putin, sendo que Mandelson manteve funções na empresa até 2017, três anos depois da anexação da Crimeia pela Rússia.

Há também referência à ligação de Mandelson com Oleg Deripaska, oligarca e empresário russo fundador do gigante do alumínio Rusal. Emails divulgados indicam, ainda, que a consultora Global Counsel, de Mandelson, terá procurado fazer negócios com a Rusnano, fundo tecnológico estatal russo.

As relações com a China também foram apontadas como fator de risco reputacional. A Global Counsel terá prestado aconselhamento estratégico à Canyon Bridge, empresa chinesa impedida de fazer negócio com os Estados Unidos por razões de segurança nacional, e fez lobby junto do Governo britânico em nome de empresas como a Shein e o TikTok.

https://observador.pt/2026/04/17/absolutamente-furioso-starmer-diz-que-nao-sabia-que-mandelson-tinha-chumbado-no-teste-de-seguranca-para-ser-embaixador-nos-eua/

Recentemente, foi revelado que Peter Mandelson reprovou no controlo de segurança inicial da UK Security Vetting para o cargo de embaixador britânico nos Estados Unidos, uma decisão que terá sido anulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros através de um mecanismo raramente utilizado para garantir a sua nomeação. Em resposta, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou estar “absolutamente furioso” e garantiu que nem ele nem os seus ministros foram informados desta situação, classificando a ocultação da informação como “imperdoável e chocante”.