Um “problema positivo”. É assim que Miguel Pinto Luz classifica o facto de haver, em algumas situações, mais procura do que oferta nos comboios da CP. Um problema que só será resolvido quando as novas carruagens já adquiridas estiverem, por fim, ao serviço. As primeiras 22, de um total de 195, já chegaram e estão neste momento à espera da conclusão do processo de certificação, que pode durar até um ano, para poderem andar. Até lá, o Governo prepara novas medidas para aumentar a procura.
“Na semana passada reunimos as grandes empresas do setor dos transportes e sinalizámos a vontade de rapidamente apresentar um passe de carácter nacional”, declarou esta segunda-feira Miguel Pinto Luz na estação de Santa Apolónia. “Estamos a trabalhar para apresentar nos próximos meses um passe intermodal à escala nacional. Temos mais portugueses a andar de transportes públicos e queremos convidar ainda mais”.
O ministro falava no âmbito de um evento para assinalar a marca de um milhão de vendas do Passe Ferroviário Verde. Lançado em outubro de 2024, o passe, que permite circular na rede de comboios regionais e no Intercidades e tem o preço único de 20 euros por mês, “representa mais de 20 milhões de euros de receita para a CP”, segundo o Ministério das Infraestruturas. Em março havia 70 mil passes mensais ativos.
Questionado sobre os problemas notados por muitos passageiros, nomeadamente o facto de se depararem com lugares vazios por haver reservas nos Intercidades que depois não eram preenchidas, Pinto Luz diz que “já melhorou”. “Alterámos os procedimentos. Alguém que queria viajar de Coimbra para Lisboa registava-se em Guimarães e segurava um lugar que não era seu e a carruagem ia vazia. Já não é assim”.
Mas “não queremos gerar falsas expectativas”, admite o ministro. “Enquanto os novos comboios não estiverem ao serviço nós teremos constrangimentos de capacidade. Mas é bom que mais portugueses estejam a andar de comboio, é melhor que andar com comboios vazios. É bom que tenhamos um problema positivo que é termos mais pessoas a querer andar de comboio e não conseguem“, defendeu, reconhecendo que a “capacidade está no limite”. O Governo já anunciou um investimento de 1.800 milhões de euros em 195 novos comboios. A meta é “pensar a CP como o grande prestador de serviço ferroviário público em Portugal” mantendo a empresa com “contas saudáveis”. Em 2025, a empresa terá registado lucros na ordem dos quatro milhões de euros. “Até 2030 não haverá um único ano sem novos comboios”.
Além do passe intermodal a nível nacional, Pinto Luz anunciou outra novidade. A partir de maio, o Passe Ferroviário Verde estará disponível também no portal Gov.pt, tal como hoje estão documentos como o cartão do cidadão ou a carta de condução.
“Falta pouco para termos novidades sobre a TAP”
Pinto Luz foi ainda questionado à margem sobre a privatização da TAP e o impacto que pode ter a guerra no Médio Oriente no preço oferecido pelas duas companhias que apresentaram propostas não vinculativas. Mas o ministro não quis alongar-se sobre o tema. “Já falta pouco para termos novidades sobre a TAP. A ansiedade não leva a bom porto”, disse apenas.
Já sobre a crise do jet fuel e os alertas da Agência Internacional de Energia para as próximas semanas, Pinto Luz sublinha que o Governo “sabe e esteve sempre em contacto com as petrolíferas” sobre “os limites que temos em stock nos aeroportos e o que temos no país de jet fuel”. O Governo acredita que “a oferta continua a ser garantida”.
“Não precisamos do alerta internacional para saber quais são as nossas reservas de jet fuel. É um problema europeu que estamos a acompanhar de perto e queremos garantir que nos próximos meses nada falha a esse respeito”, concluiu.
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