Depois de alguma especulação sobre a escolha, uma nomeação “natural” mas um contexto difícil nos últimos dias antes do dérbi. Após ter marcado presença no clássico entre Benfica e FC Porto no Campeonato, João Pinheiro voltou a ser aposta do Conselho de Arbitragem para dirigir o importante Sporting-Benfica. Todavia, e durante a semana, esteve também na partida da Liga Conferência entre Estrasburgo e Mainz, jogo a contar para a segunda mão dos quartos de final que não deixou propriamente saudades às duas equipas.
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Durante a partida, num lance nos 20 minutos iniciais em que o defesa Dominik Kohr atingiu o internacional português Diego Moreira de forma violenta, Gary O’Neill, técnico dos franceses, não poupou palavras contra a decisão de João Pinheiro. “É uma loucura! É uma loucura! Deveria ser preso. É mau. É uma cotovelada, é com o cotovelo”, foi criticando o treinador da formação da casa para o quarto árbitro, em imagens que viriam depois a ser captadas pelo Canal +. Já no final, após o triunfo por 4-0 que apurou o Estrasburgo para as meias-finais, o encontro ficou também marcado por uma confusão a envolver vários jogadores depois de um jogador dos gauleses ter colocado uma camisola na bandeirola e celebrado junto dos adeptos visitantes.
O encontro no Stade de La Meinau não foi fácil, o dérbi em Alvalade não se adivinhava melhor. No entanto, e ao contrário do que tem acontecido nos jogos grandes, o apito final chegou sem críticas por parte de Rui Borges, do Sporting, e até com elogios de José Mourinho, do Benfica. E com algo que contrariou a “lógica”: os casos que foram surgindo foram apenas decisões técnicas nas áreas sem nada no plano disciplinar.
[Ouça aqui a análise do ex-árbitro Pedro Henriques no Sem Falta da Rádio Observador]
https://observador.pt/programas/sem-falta/scp-x-slb-var-e-arbitro-tiveram-bem-nos-penaltis/
A primeira parte ficou marcada pelas duas grandes penalidades. Na primeira, com “apoio” do VAR, o pisão de Aursnes a Francisco Trincão na área foi visto como uma falta mas, na conversão, Luis Suárez acabou por permitir a defesa a Trubin. Ainda houve um pequeno compasso de espera perante a possibilidade de haver uma repetição do castigo máximo pela posição de Schjelderup já dentro da área na altura da marcação, até por ter sido o jogador norueguês a afastar a bola da área, mas o facto de não haver qualquer jogador dos leões por perto para fazer a recarga fez com que João Pinheiro mandasse seguir. Mais tarde, na sequência de um canto, Morita tocou a bola com o braço depois de um cabeceamento de Otamendi e o árbitro assinalou de pronto falta para penálti, com o japonês a dizer (sem efeito) que tinha sido empurrado por Tomás Araújo.
[Clique nas imagens para ver os casos do dérbi em vídeo]
Até ao intervalo, haveria ainda um lance que motivou críticas por parte do banco do Benfica em que Ivanovic discutiu uma bola na área com Eduardo Quaresma e caiu após pisar o pé do defesa. João Pinheiro voltou a mandar seguir. O dérbi, que teria apenas três amarelos ou por protestos (Hjulmand e Rui Silva) ou por atraso na reposição de bola (Trubin), voltaria apenas a “aquecer” em termos de arbitragem nos minutos finais, com o golo anulado a Rafael Nel aos 90+1′ por decisão do árbitro assistente confirmada pelo VAR e com o lance em que Rafa marcou o 2-1 no terceiro minuto de descontos apesar do empurrão de Vagiannidis.