Não é permitido atirar a toalha ao chão enquanto for matematicamente possível, mas nem Rui Borges escondeu que a derrota no dérbi foi um murro no estômago. O Sporting perdeu com o Benfica em Alvalade, caiu à condição para o terceiro lugar porque ainda tem um jogo em atraso e pode ficar a oito pontos da liderança do FC Porto se os dragões vencerem o Tondela. É matematicamente possível ser campeão nacional, mas a alta probabilidade de não ser doeu.
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Depois do apito final, ainda na zona de entrevistas rápidas e questionado sobre o facto de o golo de Rafa ter sido logo a seguir a outro anulado a Rafael Nel, Rui Borges lembrou “a crueldade do jogo”. “Temos de perceber que às vezes é para um lado e outras vezes é para o outro. Entrámos bem no jogo, mas depois o Benfica aumentou a pressão. Na segunda parte ficámos um pouco intranquilo, também fruto do golo. A equipa que o Benfica apresentou e as escolhas que fez também propiciaram isso. Agora temos de levantar a cabeça”, começou por dizer.
Mais à frente, o treinador leonino reconheceu que a eliminatória recente contra o Arsenal, nos quartos de final da Liga dos Campeões, teve impacto na preparação física da equipa. “É natural, sentiu-se em quatro ou cinco jogadores essa quebra. Mas sentiu-se sempre a ambição. Queríamos ganhar, porque o empate não nos servia. Fizemos o 2-1, que não contou, e o Benfica marcou em contra-ataque. O futebol é mesmo isto”, acrescentou, deixando ainda mais ideias sobre o desgaste físico.
“Eles têm dado uma resposta formidável. Só uma grande equipa consegue jogar com este bloco tão alto ao longo de 90 minutos depois de uma fase de tanto desgaste. Agora temos de continuar a trabalhar até ao final”, disse. Sobre o Campeonato, soco no estômago. “As contas ficam mais difíceis, mas enquanto for matematicamente possível acreditamos. Enquanto houver vida temos de acreditar”, sublinhou.
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Mais tarde, já na conferência de imprensa, Rui Borges também assumiu que a grande penalidade desperdiçada por Luis Suárez e a convertida por Schjelderup mexeram com os jogadores. “Retiro de positivo a ambição da equipa do princípio ao fim do jogo. Se calhar, pagámos um bocadinho por essa ambição de querermos muito ganhar o jogo. Entrámos muito bem. A questão dos penáltis mexeu um bocadinho com a equipa e começámos a falhar muitos passes. Demos muito o que eles queriam. O Benfica jogou sempre muito em contra-ataque e criou duas ocasiões nesse sentido. Pagámos pela audácia de, depois do 1-1, continuarmos à procura do golo. Tentámos ser pressionantes, apostámos muito na marcação homem a homem e sem baixar as linhas. Individualmente e coletivamente não podia pedir mais”, explicou.
“Fica mais difícil, mas temos de continuar a fazer o nosso trabalho. Temos de continuar a lutar para ser felizes, porque matematicamente ainda é possível. Mesmo com todo o desgaste que a equipa tem sofrido temos dado uma grande resposta. Nada apaga o nosso trajeto. Esta derrota não apaga o trajeto que temos feito, que é fantástico, e na quarta-feira temos mais um jogo para disputar outro troféu que é nosso”, vincou, deixando desde logo uma antecipação à segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, contra o FC Porto, numa eliminatória em que o Sporting está em vantagem.
“Disse logo que a Champions não ia criar impacto, apenas orgulho por aquilo que fizemos e pela forma como nos batemos com o Arsenal. Agora temos de já virar o foco para outro jogo difícil na quarta-feira. Temos de nos focar em poder disputar mais uma final e manter a equipa ligada, mas não tenho dúvidas de que vamos dar uma boa resposta”, terminou.
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