O ataque a tiro que vitimou seis pessoas na capital ucraniana, Kiev, este sábado, acabou por gerar danos colaterais (e inesperados) dentro da própria polícia. Isto porque o chefe da polícia de patrulha ucraniana, Yevhen Zhukov, acabou por se demitir, depois de dois dos seus agentes terem alegadamente sido apanhados a fugir do local do crime.
Como conta a BBC, este domingo começou a circular nas redes sociais um vídeo que parece mostrar os dois agentes, que estavam parados do lado de fora do supermercado, a fugirem a correr enquanto começam a ser ouvidos sons de vários disparos.
https://twitter.com/MianZaman5/status/2045931975014535332
A capital ucraniana foi palco este sábado de um ataque a tiro que matou seis pessoas e feriu 14. O atirador refugiou-se num supermercado onde fez reféns, tendo acabado abatido pelas forças policiais.
O ministro da Administração Interna da Ucrânia, Ihor Klymenko, comunicou no sábado que o homem, que antes do ataque tinha pegado fogo à própria casa e foi considerado “mentalmente instável”, foi morto pela unidade de operações especiais da polícia ucraniana. Durante as negociações para que o atirador se entregasse às autoridades, este terá disparado com uma arma de fogo contra os polícias. O MAI anunciou tratar-se de um homem de 58 anos natural de Moscovo e está a tratar o caso como um ato de terrorismo.
https://observador.pt/2026/04/18/homem-mata-varias-pessoas-com-arma-de-fogo-em-kiev-e-refugia-se-em-supermercado-ainda-nao-foi-detido/
Na sequência das imagens dos agentes em fuga, o chefe da polícia disse, numa conferência de imprensa organizada este domingo, que estes “falharam na avaliação correta da situação e deixaram civis em perigo”, agindo de forma “pouco profissional e indigna”. Por isso, Zhukov decidiu demitir-se e deixar a chefia da polícia.
A pressão já se tinha tornado, de resto, demasiada alta: o próprio Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tinha reconhecido este domingo que dois agentes da polícia tinham estado “na cena do crime, mas não travaram o assassino e fugiram sozinhos”.
Zelensky também tinha acusado os polícias de “inação” e anunciado que seria aberta uma investigação criminal ao caso, dizendo que, durante uma guerra, é “especialmente doloroso perder pessoas assim, numa cidade normal, no meio da rua”.
O ministro da Administração Interna da Ucrânia, Igor Klymenko, veio dizer que os agentes em causa foram suspensos e estão a ser investigados, numa publicação no Telegram citada pela BBC. “Servir e proteger não é só um slogan. Deve ser comprovado com ações profissionais adequadas. Especialmente em momentos críticos, quando a vida das pessoas depende delas”.
Mas quis frisar que não é “correto” fazer “generalizações” sobre a polícia por causa do comportamento de dois agentes.