Uma das características de uma sociedade desenvolvida é a longevidade dos seus cidadãos, considerando a longevidade como a duração mais longa que o normal da vida de uma pessoa. Assim é quando analisamos sociedades como a japonesa ou a italiana e as comparamos com as sociedades de, por exemplo, vários países em desenvolvimento.
Portugal também conseguiu, ao longo das últimas décadas, figurar como um dos países com maior longevidade, ao lado de países como os citados atrás.
Esse facto foi festejado com destaque nos primeiros anos em que começou a verificar-se, mas, actualmente, é comum encontrar comentários e análises que encaram o aumento de esperança de vida com algum negativismo, por considerarem o aumento da longevidade como uma pressão sobre o Estado social e sobre o sistema de saúde.
Porém, pelo contrário, deveremos saber aproveitar esta situação como uma oportunidade estrutural que coloca o nosso País na senda da saúde e da inovação, de forma a ser sustentável e aceite como uma decisão estratégica.
Esta longevidade funcional, ou seja, viver mais tempo com qualidade de vida, depende em 75% do estilo de vida de cada um e 25% da genética.
Já o envelhecimento é um processo contínuo que depende dos hábitos preventivos que devem ser tomados logo a partir dos 40 anos para manter a autonomia física e mental e evitar comorbidades.
Saber envelhecer bem pressupõe todos os hábitos que comprovadamente garantam um bem-estar geral durante o maior número possível de anos de vida. Portanto, garantir saúde, mas cuidando dela de forma preventiva e sabendo beneficiar dos desenvolvimentos médicos mais inovadores, do crescente papel da tecnologia e dos dados e da medicina de precisão.
A saúde faz parte do processo de desenvolvimento e de protecção social e é um direito de cidadania.
O Plano Nacional de Saúde 2030, alinhado com a agenda 2030 da ONU, tem como objectivos a melhoria sustentável da qualidade de vida, a equidade e a redução das desigualdades. Para essa finalidade, deveremos mudar os nossos hábitos de vida, quando necessário, aprender a tratar preventivamente da saúde e cuidar do sistema de saúde à nossa disposição.
Como sabemos, no mundo existem várias formas de financiar o serviço nacional de saúde de cada país. Em Portugal, como no Reino Unido, o serviço tem como receitas os impostos pagos pelos seus cidadãos (chamado o sistema Beveridge), na Alemanha ou em França o sistema assenta num seguro social obrigatório (sistema Bismarck), no Canadá tem por base um seguro nacional obrigatório e noutros países (caso do Brasil) é um sistema misto.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS), criado no regime democrático (antecedido do sistema de previdência social existente desde os anos 60 do século passado), está presente em todo o país, serve todos os cidadãos, é tendencialmente gratuito e tem tido, ao longo dos anos, um acréscimo do número de doentes impressionante, também devido aos não nacionais de origem europeia ou os imigrantes que trabalham em Portugal, o que explica não só o acréscimo de despesa, mas também a necessidade de trabalhar algumas dimensões críticas e encontrar um modelo económico mais adequado à realidade que se vive já e se antecipa como futura.
Os portugueses, até pela maior longevidade, por um certo desenvolvimento de literacia da saúde e pela vivência da era covid estão hoje mais despertos para a manutenção da sua qualidade de vida com saúde e, embora utilizando o SNS, têm procurado também subscrever seguros de saúde, quer individualmente quer através das empresas onde trabalham. São hoje já mais de 4 milhões os cidadãos com seguros de saúde, sendo espectável, ainda, o crescimento deste mercado nos próximos anos.
E, embora uma importante percentagem de portugueses não tenha condições financeiras para aderir aos seguros de saúde, crescentemente, seja através deles ou do SNS, há hoje a preocupação de envelhecer com qualidade de vida, sem limitações físicas ou cognitivas.
Uma verdadeira healthspan, ou seja, uma vida longa com saúde, deve ser a ambição coletiva e o objectivo.
A inovação tecnológica neste sector tem permitido que o sistema de saúde seja presentemente mais preventivo e mais apto a dar resposta aos problemas do envelhecimento, diagnosticando doenças precocemente ou acompanhando os doentes de maneira mais personalizada.
Aproveitar a Inteligência Artificial e o Big Data, aplicar a cirurgia robótica, utilizar a telemedicina e a genómica (nomeadamente no que se refere ao DNA), incrementar a impressão 3D no que se refere a próteses, são parcelas de um importante desenvolvimento tecnológico no âmbito da Saúde 4.0 e podem traduzir-se numa maior qualidade de vida e em satisfatórios resultados nesta área.
Longevidade é tudo isto, a que acresce a necessidade de não se estar socialmente isolado, a participar na vida familiar e da comunidade em que se vive, a estar ligado com os outros, a continuar rotinas, desde as mais simples até às mais complexas, a sempre tentar estar e viver equilibrado para que o bem-estar esteja presente na vida de cada cidadão pelo período mais longo possível.