A vacinação de animais é um pilar silencioso, mas importante, na saúde global. Não é apenas uma prática veterinária; é uma estratégia essencial de saúde pública, sustentabilidade e bem-estar coletivo. Por isso, importa falar dela neste Dia Mundial da Vacinação Animal, que se celebra a 20 de abril de cada ano, com o objetivo de destacar a importância crucial de imunizar animais de companhia e de produção para impulsionar a sua saúde e bem-estar e proteger a saúde pública (conceito de One Health).
Ao longo das últimas décadas, a vacinação tem desempenhado um papel decisivo na prevenção de doenças que afetam animais de companhia, animais de produção e até a vida selvagem. Graças a ela, foi possível controlar, e em alguns casos erradicar, doenças com elevado impacto económico e social. No entanto, o seu valor vai muito além da saúde animal em si.
Hoje, é amplamente reconhecido que a saúde animal, a saúde humana e a saúde ambiental estão profundamente interligadas, num conceito referido, muitas vezes, como “Uma Só Saúde” (One Health), recordando-nos que não existem fronteiras estanques quando falamos de doenças infecciosas. Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas têm origem animal e pelo menos 75% das doenças infecciosas emergentes têm origem em animais. Assim, prevenir doenças nos animais é uma das formas mais eficazes de proteger a saúde das populações humanas. Ao reduzir a circulação de agentes patogénicos entre animais, diminui-se também o risco de transmissão para humanos, seja por contacto direto, através da cadeia alimentar ou por via ambiental. É, por isso, uma ferramenta estratégica na prevenção de surtos e pandemias.
Mas há, igualmente, uma dimensão económica e social que não pode ser ignorada, já que, num mundo cada vez mais interdependente, a sanidade animal é determinante para garantir a segurança alimentar, a estabilidade das cadeias de abastecimento e a confiança dos consumidores. Sistemas produtivos mais saudáveis são também mais eficientes e sustentáveis, contribuindo para uma utilização mais racional de recursos e para a redução do impacto ambiental.
Para garantir tudo isto, importa ainda destacar o contributo da indústria farmacêutica veterinária, que tem investido de forma contínua na investigação e desenvolvimento de vacinas inovadoras, mais seguras e eficazes. Este esforço traduz-se não só em ganhos diretos para a saúde animal, mas também num reforço da capacidade de resposta a ameaças sanitárias globais.
Porém, apesar dos avanços, persistem alguns desafios aos quais devemos dar atenção. A desinformação, a falta de acesso a cuidados médico-veterinários em algumas regiões e a subvalorização da prevenção continuam a comprometer o potencial da vacinação. É fundamental promover uma maior literacia sobre o tema, envolvendo produtores, tutores de animais e a sociedade em geral.
Neste Dia Mundial da Vacinação Animal, importa, por isso, reforçar uma mensagem simples, mas poderosa: vacinar animais é um ato de responsabilidade coletiva. É um investimento, no presente e no futuro, na saúde, na economia e no equilíbrio dos ecossistemas.