Nos últimos dias, o socialista Duarte Cordeiro disse a José Luís Carneiro que afinal não estaria disponível para fazer parte da Comissão Política do PS. A mudança de posição foi fruto da “avaliação política” que fez sobre a forma como o líder está reorganizar o partido, preferindo não ser confundido como um socialista “da equipa” ou apoiante do líder. Quer manter a margem para “discordar”.
Em declarações ao Observador, Duarte Cordeiro explica a conclusão a que chegou: “Acabei por avaliar que ao ficar de fora fico menos comprometido com a atual liderança, com as suas decisões, e conservo melhor a minha liberdade para discordar“.
Inicialmente, Cordeiro tinha mostrado disponibilidade para integrar este órgão de direção do partido, mas acabou por recuar quando sentiu “uma grande preocupação da liderança, nas notícias que foi promovendo, em projetar que quem aceitava o convite da CPN ou era da equipa ou apoiava o líder”: “Senti que não encaixo em nenhum desses perfis”.
https://observador.pt/2026/04/19/carneiro-escolhe-teresa-almeida-para-encabecar-lista-da-comissao-politica-duarte-cordeiro-nao-vai-estar-no-orgao/
Nas mesma declarações, o socialista, que é frequentemente apontado como um nome forte para uma futura liderança do partido, diz que não faz “juízo nenhum sobre as decisões de mais ninguém” e que o que fez foi avaliar a sua “circunstância”.
Fonte do partido tinha explicado a decisão de Cordeiro com “motivos profissionais”. No entanto, as explicações do socialista mostram que esta é uma opção política calculada. O que as declarações mostram é que, para Duarte Cordeiro, estar na Comissão Política, no atual contexto, equivaleria a legitimar a liderança e a estratégia de Carneiro e a alinhar na ideia de unidade em torno do líder. Ao recusar integrar a Comissão Política, o ex‑ministro do Ambiente não fica colado às decisões da atual liderança e preserva o estatuto de voz autónoma e potencial alternativa interna.
Na prática, Cordeiro assume que prefere preservar a distância em relação ao núcleo dirigente do PS e manter intacta a margem de crítica à estratégia de José Luís Carneiro. O socialista não esteve no Congresso do PS em Viseu, mas dias antes, no seu espaço de comentário no canal Now, já mostrou que desalinha deste líder quando defendeu uma linha mais afirmativa na oposição.
No congresso foi apresentada uma moção setorial, por dois socialistas próximos de Cordeiro, que era crítica de uma postura do PS como “parceiro” do Governo, desafiando o líder a clarificar a sua estratégia. O antigo ministro não a subscreveu, mas teve conhecimento prévio da sua existência.
https://observador.pt/2026/03/24/geracao-que-se-segue-no-ps-recusa-posicao-de-parceiro-do-governo-e-desafia-carneiro-a-saltar-de-cima-do-muro-do-nim/
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