A meio da semana, o FC Porto conheceu o segundo dissabor da temporada. No início de uma semana que podia ser decisiva nas contas finais da temporada, os dragões deslocaram-se a Nottingham para enfrentar o Forest na segunda mão dos quartos de final da Liga Europa na tentativa de conseguir uma vitória que desse o acesso às meias-finais da prova europeia. Contudo, o jogo acabou por se desenrolar longe do previsto e, apesar de ter “escapado” à habitual rotação de Francesco Farioli, Jan Bednarek foi expulso na fase inicial da partida, antes de Morgan Gibbs-White fazer o único golo do jogo (0-1). Apesar da desvantagem no marcador e em termos númericos, os portistas acabaram a encostar os ingleses à sua baliza, atiraram duas bolas aos ferros, mas despediram-se da Liga Europa num cenário que já tinha acontecido na Taça da Liga, frente ao V. Guimarães.
https://observador.pt/2026/04/16/bednarek-e-a-ma-licao-sobre-como-decidir-um-jogo-a-ferro-e-fogo-sem-estar-la-a-cronica-do-nottingham-forest-fc-porto/
Poucos dias depois, o FC Porto voltou a virar a bitola para o Campeonato Nacional, igualmente a poucos dias de se decidir quem vai estar na final da Taça de Portugal, com a segunda mão da meia-final frente ao Sporting a acontecer no Estádio do Dragão. Frente a um Tondela que procura segurar o seu lugar na Primeira Liga, os dragões queriam ainda aproveitar o dérbi entre os leões e o Benfica para ganhar pontos a pelo menos um dos rivais diretos, fator que podia mudar o plano traçado por Francesco Farioli para o jogo da 30.ª jornada, sendo certo que, quando Cláudio Pereira apitou para o início do duelo frente aos beirões, os azuis e brancos já sabiam o resultado do duelo da capital. Uma certeza era o regresso do FC Porto à máxima força no que respeita ao seu onze inicial, faltando apenas perceber se Zaidu Sanusi conseguiria manter-se no lado esquerdo da defesa.
“Dérbi? O que importa é que chegámos a meio de abril em três competições. Estamos em boas posições e, no Campeonato, só dependemos de nós. Vamos continuar com o nosso ritmo e a vontade de sermos campeões. O nosso foco tem de estar no Estádio do Dragão e não em Alvalade. Tondela? A análise que recebi foi para tentar perceber melhor a mentalidade do Gonçalo Feio. Não esperamos uma equipa sentada no seu meio-campo, num bloco baixo. São uma equipa bastante agressiva, com muitos momentos de homem contra homem. Viu-se isso no jogo contra o Gil Vicente e o V. Guimarães. Temos de estar prontos para diferentes tipos de pressão. Já temos mais de 45 jogos e enfrentámos quase todos os cenários dos adversários, mas amanhã [domingo] temos de manter a nossa identidade. A equipa está muito conectada. Partilhamos muita energia e muitos minutos. Toda a gente está com fome e com o espírito certo”, antecipou o treinador italiano de 37 anos.
Ficha de jogo
FC Porto-Tondela, 2-0
30.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior (Pablo Rosario, 46’), Zaidu Sanusi (Thiago Silva, 62’); Alan Varela, Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 46’); Pepê, Oskar Pietuszewski (William Gomes, 70’) e Deniz Gül (Seko Fofana, 87’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Borja Sainz, Terem Moffi e Francisco Moura
Treinador: Francesco Farioli
Tondela: Bernardo Fontes; João Silva, Christian Marques, Brayan Medina (João Afonso, 70’); Tiago Manso, Joe Hodge (Makan Aïko, 63’), Juanse Rodríguez, Rodrigo Conceição; Pedro Maranhão (Arjen van der Heide, 70’), Ouattara Moudjatovic (Yaya Sithole, 63’) e Rony Lopes (Hugo Félix, 78’)
Suplentes não utilizados: Lucas Cañizares; Bebeto, Hélder Tavares e Nor Maviram
Treinador: Gonçalo Feio
Golos: Veiga (48’) e Froholdt (65’)
Ação disciplinar: amarelo a Bednarek (19’), Mora (35’), Hodge (45+3’), Marques (50’), Sithole (80’), Alberto (84’), Veiga (90’) e Félix (90’)
Os auriverdes chegaram à cidade do Porto em situação bastante complicada nesta Primeira Liga, ocupando o 17.º lugar, a cinco pontos de chegar ao playoff de despromoção. Ainda assim, a equipa de Gonçalo Feio tem ainda um jogo em atraso, em Alvalade, frente ao Sporting, embora a tarefa esteja longe de ser fácil. Com muitas dificuldades ofensivas, o Tondela parece ter encontrado a sua fórmula com Rony Lopes em zona interiores e como referência no ataque. “Vamos competir a acreditar nas armas que temos e sabendo que a equipa acredita no plano de jogo. Cumprindo o plano de jogo, cada um dos nossos jogadores vai estar mais perto de atingir o seu potencial e, se assim for, aproximarmo-nos do resultado que queremos. O Tondela tem de deixar no campo uma imagem que deixe adeptos, região, cidade e clube orgulhosos. Vamos competir pelos pontos que estão em disputa, sabendo o difícil que é”, explicou o português.
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Como se perspetivava e tem sido habitual na era Francesco Farioli, o FC Porto entrou em campo com sete novidades em relação ao onze de Inglaterra, com Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek e Zaidu Sanusi a perfilarem-se como os únicos resistentes. Assim, Jakub Kiwior, Alan Varela, Victor Froholdt, Rodrigo Mora, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül regressaram à equipa, ao passo que Thiago Silva, Pablo Rosario, Seko Fofana, Gabri Veiga, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi foram relegados para o banco de suplentes. No Tondela, Gonçalo Feio alterou o seu esquema tático e chegou ao Dragão com três centrais, com Brayan Medina a juntar-se a João Silva e a Christian Marques e Hugo Félix a sair da equipa. No flanco direito, Tiago Manso rendeu Bebeto, ao passo que Rony Lopes continuou a ser a referência ofensiva beirã, contando com o apoio de Ouattara Moudjatovic e Pedro Maranhão.
Galvanizados pela vitória do Benfica em Alvalade, que foi bastante celebrada nas bancadas do Dragão, os azuis e brancos começaram bastante fortes e a criar perigo pelos corredores laterais, com as deambulações de dentro para fora de Veiga e Froholdt a serem utilizadas na tentativa de desfeitear o bloco defensiva tondelense. Ainda assim, o FC Porto quase não conseguiu criar perigo na primeira fase do jogo, à exceção de um remate de primeira de Varela, à entrada da área, para defesa apertada de Bernardo Fontes (9′). Já depois de Cláudio Pereira ter revertido um penálti de Medina por corte com o braço, Pepê cruzou com perigo na direita para o segundo poste, mas Manso antecipou-se a Pietuszewski e cortou para fora, com a bola a sair perto da sua baliza (33′). No canto, Kiwior cabeceou à procura do desvio de Gül ao segundo poste, mas o turco estava mais adiantado e não conseguiu melhor do que um desvio com o ombro (34′).
Na reta final da primeira parte, os dragões voltaram a beneficiar de um castigo máximo, depois de Joe Hodge ter cortado com o braço um remate de Mora. Na cobrança, Varela fez a paradinha e atirou colocado e rasteiro para o lado esquerdo, só que Fontes adivinhou o lado e travou o remate com uma palmada na bola (39′). Na derradeira oportunidade antes do intervalo, o guarda-redes brasileiro continua a mostrar que é um caso sério frente aos grandes do futebol português e defendeu mais um remate complicado, de Pietuszewski, que desferiu um tiro em arco desde a entrada da área, na conclusão de uma jogada de insistência (45+4′). Desta forma, os dragões recolheram ao balneário empatados frente aos auriverdes (0-0).
Perante a intensidade do jogo e um Tondela a apostar nos rápidos e diretos, Francesco Farioli operou duas substituições logo ao intervalo, lançando Gabri Veiga e Pablo Rosario nos lugares de Mora e Kiwior, que já tinha amarelo. As alterações do italiano tiveram impacto imediato no jogo já que, logo a abrir, o médio espanhol inaugurou o marcador: Deniz Gül recebeu em apoio, rodou, encarou três adversários e libertou em Veiga que, sozinho e com a baliza pela frente, atirou para o fundo da baliza de Bernardo Fontes (48′). Apesar de ter desbloqueado o resultado, o FC Porto continuou intenso e à procura da baliza adversária, seguindo-se um cruzamento de Zaidu Sanusi para a entrada da área, onde Victor Froholdt apareceu a dominar e a desferir um remate de pé esquerdo que tirou tinta ao poste (51′).
Já com Thiago Silva (saiu o nigeriano), Yaya Sithole (Ouattara Moudjatovic) e Makan Aïko (Joe Hodge) em campo, Gül voltou a baixar em apoio para colocar o passe de Rosario em Froholdt que, depois de romper e aguentar a pressão, desferiu um remate que passou no buraco da agulha para o segundo golo portista (65′). Com o resultado praticamente sentenciado, Farioli continuou a rodar a sua equipa e lançou William Gomes no lugar de Oskar Pietuszewski. Por seu turno, Gonçalo Feio começou a olhar para os compromissos que faltam na luta pela manutenção e colocou em campo João Afonso, Arjen van der Heide e Hugo Félix, retirando Brayan Medina, Pedro Maranhão e Rony Lopes. Pelo meio, o médio dinamarquês ameaçou o bis, mas Bernardo Fontes voltou a exibir-se a grande nível e travou o remate, à queima-roupa, com uma defesa com a perna esquerda (72′). Na parte final do jogo, Diogo Costa começou por aparecer com uma defesa apertada a remate de Félix (81′). Ainda houve tempo para Gül ceder o seu lugar a Seko Fofana e Jan Bednarek falhar o golo em cima da baliza (88′) e Veiga desperdiçar isolado (90+6′), mas o que é certo é que o FC Porto sai desta jornada mais líder e mais perto do seu 31.º título (2-0).