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Quando foi informado de que um caça norte-americano tinha sido abatido e que os dois tripulantes, que conseguiram ejetar-se da aeronave, estavam desaparecidos em território iraniano, o Presidente dos EUA “passou horas a gritar” com os seus assessores. Os detalhes de bastidores deste episódio, um dos mais tensos deste conflito até ao momento, por alturas da Páscoa, são contados numa reportagem do The Wall Street Journal que revela que, a dada altura, Trump foi retirado da “sala de crise” porque “a sua impaciência com o que estava a acontecer não estava a ajudar“.
A reportagem do jornal norte-americano ilustra como Donald Trump tem gerido a guerra com o Irão de forma errática, alternando entre decisões no sentido de agravar a escalada militar e, noutras ocasiões, tentativas de negociação e apaziguamento. Presentes em todo o momento estão os fortes receios de Trump em relação às consequências do conflito – designadamente, consequências políticas, com eleições intercalares marcadas para novembro e sondagens cada vez menos favoráveis.
O momento mais tenso, nas últimas semanas, surgiu após a queda de um avião norte-americano em território iraniano, em que dois militares acabaram desaparecidos. O Presidente reagiu com irritação e exigiu uma operação imediata de resgate.
Segundo um alto funcionário do Governo, os elementos da sua equipa mantiveram-no afastado da sala de situação porque “acreditavam que a sua impaciência não estava a ser útil” na gestão daquela crise – e Trump, a partir de fora, passou a receber atualizações regulares e sintéticas sobre o essencial do que estava a acontecer. Um dos militares foi encontrado rapidamente, enquanto o segundo só foi resgatado mais tarde numa operação de alto risco, evitando o que poderia ter sido um forte revés político para Trump.
Foi a tensão acumulada com esse episódio que levou a que Trump tenha começado a recorrer a uma retórica cada vez mais agressiva, incluindo ameaças públicas e mensagens provocatórias dirigidas ao Irão. Na sua rede social, a Truth Social, Trump exigiu, numa mensagem que incluiu impropérios, a reabertura do Estreito de Ormuz, avisando que, caso contrário, os iranianos enfrentariam “o inferno”.

No final dessa mensagem, Trump terminava com um intrigante “viva Alá“, o que levou senadores republicanos e líderes cristãos a telefonar para a Casa Branca nesse dia, preocupados com o uso de palavrões e uma expressão religiosa muçulmana – e logo por alturas da Páscoa.
Em privado, Trump justificou este estilo dizendo querer parecer “o mais instável e insultuoso possível” para forçar negociações, porque estava convencido de que falar daquela maneira iria levar os iranianos a pensar que o Presidente dos EUA estava perto de perder a cabeça e, por isso, era boa ideia tentar acalmá-lo dando abertura para negociações.
A reportagem do The Wall Street Journal mostra, porém, que, apesar de tudo isto, Trump tem mostrado hesitação em decisões mais arriscadas no terreno, recusando, por exemplo, avançar com operações que poderiam causar elevadas baixas entre tropas norte-americanas. Segundo fontes próximas, o Presidente dos EUA teme que os soldados fiquem “expostos como alvos fáceis”, “patos sentados“, como poderia acontecer num eventual ataque à ilha de Kharg.
https://observador.pt/2026/03/14/o-que-e-a-ilha-de-kharg-a-joia-da-coroa-do-irao-com-milhares-de-anos-de-historia-por-onde-passa-90-do-petroleo-do-regime/
Trump tem acompanhado o conflito medindo o sucesso pelo número de alvos destruídos no Irão, mas nem sempre com uma análise fria sobre os passos seguintes. A abordagem de Trump tem sido criticada por falta de coerência e planeamento. Uma analista citada pelo jornal descreve a situação como uma sucessão de “êxitos militares impressionantes que não se traduzem em vitória”, apontando falhas na estratégia global.
O conflito já ultrapassou o prazo inicial de seis semanas definido pelo Presidente, mantendo-se o bloqueio do Estreito de Ormuz e agravando as tensões nos mercados energéticos. Internamente, Trump tem oscilado entre preocupações económicas, como a subida dos preços dos combustíveis, e a vontade de manter a pressão militar.
Muitas vezes, diz o jornal, Trump toma decisões – sejam elas iniciativas concretas ou mensagens que transmite – sem que quaisquer assessores ou conselheiros sejam ouvidos. E muitas das declarações que fez a vários órgãos de comunicação social foram feitas sem qualquer coordenação com a sua equipa de assessoria de imprensa, acrescenta-se. Trump foi avisado de que isso seria contraproducente, ao que ele acedeu por alguns dias, mas rapidamente voltou aos métodos anteriores, que levam a que alguns dos seus assessores fiquem a saber que Trump falou com a imprensa só quando a mesma imprensa dá a notícia.
Paralelamente, acrescenta o The Wall Street Journal, o Presidente tem demonstrado falta de foco, dividindo a atenção entre a guerra e temas como campanhas políticas, angariação de fundos ou projetos internos na Casa Branca, como a nova sala de bailes. Por outro lado, envolveu-se numa quezília pública com o Papa Leão XIV, líder da igreja a que são fiéis muitos milhões de eleitores que nele votaram.
Os seus assessores têm tentado limitar as suas declarações improvisadas, que por vezes geram mensagens contraditórias. Isso foi, aliás, uma acusação feita no sábado por um responsável do governo iraniano, que disse que Trump “fala demais” e, por vezes, diz coisas “contraditárias numa mesma declaração”.
Ainda assim, existe na Casa Branca uma confiança de que a pressão poderá levar a um avanço diplomático. Trump tem insistido na necessidade de “pressionar [o Irão] para um acordo”, mantendo a convicção de que a sua abordagem imprevisível pode forçar o Irão a negociar e permitir um desfecho favorável para os EUA.
[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.
