Copo meio vazio, copo meio cheio. Depois das boas indicações deixadas na manhã de sábado com o quarto melhor registo na terceira sessão de treinos livres, a qualificação voltou a ser um calcanhar de Aquiles para Miguel Oliveira, que se viu “obrigado” a sair da 13.ª posição na corrida 1 do Grande Prémio dos Países Baixos. A hipótese de somar o quarto pódio consecutivo, depois do brilharete no Algarve com a terceira posição nas três provas, era diminuta, sobrou mais uma grande corrida de trás para a frente a funcionar como mote para o que podia acontecer no domingo, terminando em sétimo entre novo triunfo de Nicolò Bulega.
https://observador.pt/2026/03/29/o-falcao-voltou-a-voar-miguel-oliveira-faz-bingo-de-podios-no-algarve-e-so-nao-teve-jackpot-pelas-motos-da-ducati/
Deu para reduzir a desvantagem para o italiano Axel Bassani, da Bimota, igualando os 64 pontos. Deu para aguentar a pressão que estava a ser feita por Alex Lowes, britânico também da Bimota que ficou a cinco pontos do português com o quinto lugar na corrida 1, dois acima do português (sendo que o irmão, Sam Lowes, também da Ducati, acabou em terceiro e ficou também com 59 pontos). Um mal menor dentro do contexto em que o Falcão abordou a corrida 1 e que, para ambicionar a mais no domingo, teria de ser diferente perante a necessidade de garantir um posto mais alto na corrida superpole desta manhã.
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“Foi uma corrida dura. Consegui recuperar algumas posições mas ainda temos muito trabalho por fazer. Sabíamos que esta pista seria um desafio para nós, estamos a tentar maximizar tudo o que temos na box, mas não é o lugar onde queremos estar. Lá estaremos amanhã [domingo] para lutar por lugares no topo. Estamos numa pista difícil, temos de trabalhar na moto para estar com uma configuração boa e tentar ser os mais rápidos possível. No entanto, a diferença é muito grande e o ritmo não está lá. Mesmo com as circunstâncias de perda de aderência, simplesmente não tinha mais nada para dar e talvez P6 fosse possível. Do que vi posso estar um pouco à frente se conseguir um bom resultado na corrida superpole e dar luta para ter uma boa posição na corrida 2. Vamos ver qual será o ritmo que consigo ter”, apontara Oliveira este sábado.
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O piloto de Almada consolidava o posto de piloto com mais lugares ganhos em corrida com ultrapassagens nesta temporada de estreia no Mundial de Superbike mas queria mais – algo que estava diretamente ligado ao que conseguisse fazer na corrida superpole, que além de pontuar (a metade) iria definir as posições de saída para a corrida 2 da tarde. E com as Ducati de Nicolò Bulega e Iker Lecuona a “voarem” em relação à concorrência, era nos lugares seguintes e na luta da sua BMW com as Bimota que estaria a chave do dia. Uma chave que, mais uma vez, não abriu a porta: apesar de ter conseguido ainda subir dois lugares, o voo do Falcão não chegou para entrar nos pontos nem para melhorar a 13.ª posição na grelha de partida. O domínio das Ducati de Bulega e Lecuona ganhava de novo prolongamento com mais um pódio de Sam Lowes, que subia assim a terceiro do Mundial com 66 pontos, mais dois do que Oliveira, Bassani e Alex.
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A corrida 2 surgia assim como mais um exercício de correr de trás para a frente, tendo em conta que essa possibilidade de ganhar uma “coroa” com uma qualificação melhor tinha caído, numa realidade adensada pelo facto que não ter conseguido entrar por dentro para as curvas 1 e 2 e por ter caído para a 16.ª posição no final da primeira volta. Com Iker Lecuona, Bulega e Sam Lowes a dominar por completo na frente, com Alex Lowes a tentar ao máximo não ficar demasiado distante das Ducati, o piloto português voltava a enfrentar uma missão complicada que já garantira uma ascensão ao 12.º lugar no final da terceira volta e ao 11.º posto logo na volta seguinte, tendo agora apenas Tarran Mackenzie para entrar no top 10 da corrida antes de um ataque que Locatelli que obrigou a um erro para não ir ao chão e deixou o Falcão na 14.ª posição.
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Esse momento acabou por ser um exemplo paradigmático dos problemas que o português enfrenta nesta fase na BMW, com a moto a pedir melhoramentos técnicos que permitam outro tipo de resposta nos momentos chave em vez das corridas em gestão a lidar com males menores como tem feito nos Superbike. Foi isso que teve influência também na estabilização do piloto no 12.º lugar, atrás do companheiro de equipa Danilo Petrucci, que ficou no nono posto. Lá na frente, nada de novo: com Alex Lowes a afundar-se na classificação depois de ter andado perto dos lugares do pódio, Bulega conseguiu mesmo igualar o recorde Toprak Razgatlioglu com 13 triunfos consecutivos numa série que começou na última temporada e que este ano leva nove sucessos, Lecuona segurou de forma tranquila a segunda posição e Sam Lowes fechou o pódio.
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