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PS "em diálogo" com Tiago Antunes para avaliar recandidatura a Provedor

Carneiro recorda "a garantia" do PSD "de que apoiaria uma candidatura" apresentada pelas socialistas. Nome de Tiago Antunes foi chumbado e PS avalia se insiste na proposta do ex-secretário de Estado.

Agência Lusa
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O secretário-geral do PS indicou este sábado que o seu partido está em diálogo com Tiago Antunes para avaliar uma nova candidatura a Provedor de Justiça, elogiando uma “personalidade de grande integridade” e “sem qualquer pendor partidário”.

Em declarações aos jornalistas em Barcelona, à margem do encontro Mobilização Global Progressista, José Luís Carneiro foi questionado se o PS vai voltar a insistir no nome de Tiago Antunes para Provedor de Justiça, depois de a sua candidatura ter sido chumbada pela Assembleia da República na quinta-feira.

“O Presidente do Grupo Parlamentar [Eurico Brilhante Dias] está em diálogo com o professor Tiago Antunes. É uma personalidade de uma grande integridade, de uma grande qualidade humana, cívica, profissional, com provas dadas. Nunca, na relação que pude ter com ele, senti qualquer pendor partidário, na sua forma de estar e de servir no Estado”, frisou.

Carneiro reiterou que “há um diálogo que está a ser desenvolvido com ele” e o PS irá depois tomar uma decisão sobre a matéria, frisando que o seu nome tinha sido acordado com o PSD, que tinha dado “a garantia de que apoiaria uma candidatura”.

“Assim não aconteceu, vamos agora tomar a decisão no momento oportuno”, afirmou.

Questionado se o chumbo da candidatura de Tiago Antunes põe em causa as negociações com o PSD para o Tribunal Constitucional, Carneiro respondeu “que esse é um ponto que está relativamente assente nos seus princípios fundamentais”.

“Agora, há que aguardar também pela altura em que venha a ocorrer a eleição”, referiu.

Carneiro avisa que direita democrática está “numa rampa deslizante para a extrema-direita”

Ainda à margem do encontro em Barcelona, José Luís Carneiro avisou que a direita democrática “está numa rampa deslizante para a extrema-direita”, incluindo em Portugal, acusando o executivo de estar a “ceder aos temas” do Chega.

“A direita democrática está numa rampa deslizante para a extrema-direita”, avisou José Luís Carneiro em declarações aos jornalistas à margem do encontro Mobilização Global Progressista, em Barcelona, onde se estão a reunir vários líderes da esquerda mundial.

Questionado se isso também se está a verificar em Portugal, o secretário-geral do PS respondeu: “Com certeza, tem sido evidente em temas que são sensíveis”.

“O que tem acontecido à direita no Governo é que, em vez de responder às prioridades com que se comprometeu na campanha eleitoral — porque se comprometeu a dar respostas sérias na saúde, na habitação, nas exportações e economia do país, a melhorar salários –, tem cedido aos temas que agradam e fazem parte do núcleo fundamental da mensagem da extrema-direita, nomeadamente as questões da nacionalidades, das migrações”, referiu.

O secretário-geral do PS acrescentou ainda que o Governo “tem utilizado temas da extrema-direita não porque esteja preocupado com os temas da extrema-direita”.

“Mas porque é um mecanismo, um instrumento de distração da atenção da opinião pública, das suas incapacidades e insuficiências para responder às prioridades que o Governo tem”, acusou.

José Luís Carneiro fez estas declarações aos jornalistas depois de ter participado num debate sobre o tema “Promover a democracia, derrotar a extrema-direita”, no qual também interveio a escritora chilena Isabel Allende.

Aos jornalistas, o secretário-geral do PS considerou que o “melhor modo” de se responder ao populismo e à demagogia é “garantir que a democracia responde às necessidades fundamentais dos cidadãos”, como o custo de vida, a saúde, a habitação ou o modelo de desenvolvimento da economia.

“Uma economia que seja capaz de crescer, baseada no conhecimento, na investigação, mas que seja simultaneamente sustentável no uso de recursos e inclusiva do ponto de vista social. Isto significa criar níveis elevados de emprego, mas emprego digno, que remunere bem os trabalhadores”, sustentou.

O secretário-geral do PS considerou que só assim é que se conseguirá “responder a uma linguagem e a um método populista e demagógico que promete tudo e a todos e que, depois, naturalmente, falha”, frisando que isso se verificou ou está a verificar em países como os Estados Unidos, o Brasil ou a Hungria.

“São modelos que prometem tudo e a todos, como se fosse tudo simples e não houvesse complexidade, e depois falham a tudo e a todos e, mais grave, é que quando, depois, falham a tudo e a todos e as pessoas descobrem, procuram utilizar instrumentos de controlo das sociedades, impedindo as liberdades democráticas e os direitos cívicos fundamentais”, afirmou.

José Luís Carneiro considerou que encontros como o que se está a realizar este sábado em Barcelona são importantes para que a esquerda consiga cooperar a nível internacional para “responder a uma tendência global”.

“E a tendência global é para que os populismos sejam substituídos por uma mensagem de verdade, de proximidade e que responda às necessidades das pessoas”, afirmou.

Vários líderes da esquerda mundial estão a reunir-se em Barcelona para coordenar ações e partilhar experiências num momento de avanço da direita e da extrema-direita a nível global.

Entre os nomes presentes estão o primeiro-ministro espanhol e atual presidente da Internacional Socialista, Pedro Sánchez, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.