A reabertura do Estreito de Ormuz foi anunciada nesta sexta-feira, levando a que um primeiro comboio de embarcações de grande dimensão, tenha atravessado o local. Porém, já nesta manhã, o Irão voltou a colocar o estreito “sob controlo e gestão estrita” do exército, criticando os EUA por estar a limitar a circulação de navios nos portos iranianos.
Donald Trump tinha dito, através da sua rede social, que o “Irão concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz”. O Presidente norte-americano garantiu que o canal marítimo “já não será utilizado como arma contra o mundo”. Horas depois, o estreito foi encerrado novamente.
Uma nova ronda de negociações entre representantes iranianos e norte-americanos deverá ter lugar em Islamabad, no Paquistão, na próxima segunda-feira.
Pode recordar os acontecimentos de sexta-feira aqui e acompanhar aqui o liveblog entretanto aberto neste sábado.
No Irão:
- O Irão decidiu abrir totalmente o estreito de Ormuz à navegação comercial enquanto durar o cessar-fogo acordado com os EUA, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano. “Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, declara-se totalmente aberta a passagem de todos os navios mercantes pelo estreito de Ormuz durante o resto do período de cessar-fogo”, afirmou Abbas Araghchi.
- Já nesta manhã de sábado, porém, o Irão voltou a fechar o Estreito de Ormuz devido ao que diz ser um bloqueio naval que os EUA estão a promover naquela região. Órgãos de comunicação oficiais iranianos estão a avançar que o local voltou a ser colocado “sob controlo e gestão restrita” levada a cabo pelo exército. O Irão diz que os EUA quebraram uma promessa que tinham feito pelo facto de continuarem a limitar a navegação de embarcações nos portos iranianos. E, por isso, a gestão do estreito “regressa à sua anterior situação“.
- Antes deste anúncio, um comboio de navios-tanque atravessou o estreito, naquele que foi o primeiro movimento significativo desde o início da guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irão, há sete semanas. Dados de monitorização marítima indicam que o grupo saiu do Golfo e percorreu a via estratégica, incluindo quatro navios de transporte de gás de petróleo liquefeito e vários petroleiros de produtos e químicos, com outras embarcações a seguir na mesma rota.
- O exército norte-americano afirmou, por outro lado, que já obrigou 21 navios a inverter rota e regressar ao Irão desde o início do bloqueio aos portos do país. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), as embarcações cumpriram as ordens das forças norte-americanas e voltaram atrás, em vez de prosseguir viagem.
- O Irão e os Estados Unidos estão a ultimar um memorando de entendimento que poderá servir de base para um acordo de paz mais duradouro, confirmam três altos responsáveis iranianos com conhecimento direto das negociações ao The New York Times. Donald Trump garantiu que, assim que for assinado um acordo com o Irão, o bloqueio ao Estreito de Ormuz será levantado: “Assim que o acordo for assinado, o bloqueio terminará”.
Em Israel e no Líbano:
- Um ataque israelita matou uma pessoa e feriu outras duas, depois de ter atingido uma mota e um carro no sul do Líbano esta sexta-feira, relatou o Ministério da Saúde libanês. O ataque, que não foi reconhecido pelas forças israelitas, aconteceu já depois da entrada em vigor do cessar-fogo, representando, portanto, uma violação da trégua.
- Benjamin Netanyahu confirma que cedeu ao pedido de Donald Trump e aceitou o acordo temporário de cessar-fogo no Líbano. “A seu pedido, estamos a dar a oportunidade de avançar com uma solução combinada, política e militar, em conjunto com o Governo libanês”, afirmou o primeiro-ministro israelita num vídeo publicado nos seus canais oficiais.
- Donald Trump anuncia que os Estados Unidos vão recolher todos os resíduos nucleares provocados pelo bombardeiros norte-americanos, mas garante que “não vai haver qualquer troca de dinheiro”. Explica, também, que este acordo “não está sujeito ao Líbano” e que Washington definirá um acordo com o Líbano e lidar com o Hezbollah “de uma forma apropriada”. Deixa, ainda, um aviso a Netanyahu: “Israel não vai voltar a bombardear o Líbano. Estão PROIBIDOS pelos EUA de o fazer. Já chega”, escreveu o Presidente na rede Truth Social.
- O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, fez as suas primeiras declarações oficiais desde que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor, em que defendeu a abordagem diplomática de Beirute. “Estas negociações não são uma fraqueza. Não são uma retirada. Não são uma concessão. São uma decisão derivada da força da nossa crença nos nossos direitos e na preocupação com o nosso povo e na nossa responsabilidade em proteger o novo povo por todos os meios possíveis”, declarou o chefe de Estado numa transmissão televisiva.
No Golfo:
- Há cerca de 140 navios tanque com cargas de petróleo e gás natural que estão retidos no Golfo Pérsico por causa do bloqueio ao Estreito de Ormuz. A informação foi avançada esta semana pelo diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE). Fatih Berol especificou que 110 são petroleiros e 15 navios de gás natural liquefeito (GNL). Se estes navios puderem atravessar o estreito, isso iria aliviar a crise energética, afirmou o diretor da AIE à Associated Press
- O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, regressou ao Médio Oriente e está agora a operar no Mar Vermelho, depois de ter passado no canal do Suez acompanhado por dois contratorpedeiros, avançaram dois responsáveis norte-americanos à Associated Press. O Ford passou o último mês ancorado no Mar Mediterrâneo, depois de um incêndio numa das zonas de lavandaria que obrigou o navio a regressar ao porto para reparações. O navio junta-se, assim, ao USS Winston S. Churchill na região.
No resto do mundo:
- O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, afirmou numa entrevista que Donald Trump “mostrou ao mundo inteiro que os Estados Unidos da América não são todo-poderosos”. Ao canal russo RT, Lukashenko acrescentou que “se os americanos não conseguiram lidar com o Irão, não se devem meter com a China” — que descreveu como o seu principal inimigo. “Eles nunca conseguirão lidar com aquele tipo de poder”, afirmou.
- O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou à criação de uma missão conjunta para assegurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, defendendo que a experiência de Kiev no Mar Negro pode ser útil.