Paul Quinn já era um criminoso sexual condenado quando as autoridades investigavam uma violação descrita como “horrível”, ocorrida no Reino Unido em 2003. No entanto, foi Andrew Malkinson quem acabou por ser preso, injustamente, pelo crime durante 17 anos. Só agora, com o desfecho anunciado esta sexta-feira, Quinn foi condenado por um júri, na sequência de uma nova análise forense que revelou a presença do seu ADN na vítima, de acordo com a imprensa britânica.
De cabeça baixa, o pai de seis filhos ouviu a condenação por duas acusações de violação, tentativa de estrangulamento e ofensas graves à integridade física, cuja sentença será conhecida a 5 de junho. Em paralelo, está agora a ser investigado como possível suspeito noutros crimes sexuais graves, incluindo três violações alegadamente cometidas durante o período em que se encontrava em liberdade.
O historial criminal de Quinn já era extenso. Tinha sido condenado por violar duas vezes uma menina de 12 anos, em 1990 e 1991, quando tinha 16 anos. Aos 12, tinha recebido uma advertência por atentado ao pudor contra uma mulher. Além destes, no final da adolescência, acumulava ainda condenações por roubo, agressão, posse de arma de ar comprimido e fogo posto, após ter ateado fogo a um caixote do lixo em frente à casa de uma ex-namorada, enquanto esta se encontrava no interior com os filhos.
Em tribunal, foi revelado que o ADN de Quinn foi finalmente identificado em amostras recolhidas da roupa da vítima em outubro de 2022, na sequência de uma nova análise forense. As autoridades policiais e o Ministério Público britânico tinham conhecimento, desde 2007, de que o ADN de um homem não identificado tinha sido encontrado na vítima, mas optaram na altura por não realizar testes adicionais.
Em 2012, Quinn tinha fornecido uma amostra do seu material genético à polícia no âmbito de uma operação nacional destinada a recolher perfis genéticos de criminosos perigosos por crimes cometidos antes da criação do banco de dados nacional de ADN, em 1995. Foi essa amostra que, anos mais tarde, permitiu ligá-lo ao caso.
Durante o julgamento, Quinn admitiu que o ADN encontrado em peças de roupa da vítima era seu. Foi igualmente revelado que, nas semanas após a divulgação em 2022 de uma nova ligação do caso a outro suspeito, Quinn fez pesquisou repetidamente na internet informações sobre o caso de violação. Também foi demonstrado em tribunal que procurou várias vezes “por quanto tempo o ADN é armazenado num banco de dados”.
A atuação da Polícia da Grande Manchester (GMP, na sigla em inglês) está agora sob escrutínio, designadamente quanto ao motivo pelo qual Quinn não foi investigado em 2003, apesar do seu historial como criminoso sexual e de viver nas proximidades do local do crime. Em simultâneo, o organismo de fiscalização policial está a analisar a destruição de provas no caso Malkinson por parte da GMP, a não divulgação dos antecedentes criminais de duas testemunhas-chave no julgamento de 2004 e a eventualidade de essas testemunhas terem sido incentivadas a testemunhar contra o homem inocente.
Andrew Malkinson, que sempre se declarou inocente, acabou por ver a sua condenação anulada em 2023. Num comunicado citado pelo The Guardian, Malkinson afirmou estar satisfeito com o desfecho do processo contra Quinn, mas sublinhou que o real culpado “poderia ter sido apanhado há muito tempo”. “Em vez disso, quiseram uma condenação rápida e eu fui um bode expiatório conveniente, forçado a passar mais de 17 anos na prisão pelo seu crime horrível. Todos os responsáveis por permitir que este homem perigoso permanecesse em liberdade enquanto eu estava preso devem ser responsabilizados”, acrescentou ainda.
Após o veredito, numa declaração lida por um agente da polícia, a vítima da violação afirmou estar satisfeita com o resultado, mas ressalvou, segundo o mesmo jornal: “Isso não muda o facto de que duas vidas foram afetadas desta forma”. Com 33 anos na altura do ataque e mãe de dois filhos, a mulher afirmou que a investigação “roubou 17 anos da vida do Sr. Malkinson” e “roubou a vida” que “queria ter”. “O impacto do que aconteceu naquele dia ficou comigo e ficará para sempre”, concluiu.
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