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(A) :: Administração Trump quer anular condenações de grupos de extrema-direita pelo ataque no Capitólio

Administração Trump quer anular condenações de grupos de extrema-direita pelo ataque no Capitólio

Administração acredita que anulação é do "interesse da justiça", depois de Trump já ter perdoado 1500 pessoas envolvidas no ataque de 6 de janeiro de 2021.

Mariana Lima Cunha
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Mais um passo para que os acontecimentos do dia 6 de janeiro de 2021, quando milhares de pessoas — sobretudo apoiantes de Donald Trump — atacaram o Capitólio norte-americano, sejam perdoados. Desta vez, a administração Trump quer anular algumas das mais sérias condenações que surgiram por crimes cometidos durante o ataque.

Esta semana, conta o Washington Post, o Departamento de Justiça pediu para anular as condenações de doze elementos dos grupos de extrema-direita Proud Boys e Oath Keepers, argumentando que uma decisão nesse sentido respeitaria os “interesses da justiça”. Alguns desses membros, condenados por crimes graves como “conspiração para subverter a ordem constitucional”, tinham interposto recursos.

A procuradora do estado de Washington, Jeanine Pirro, entregou documentos esta semana com o pedido formal de recurso, pedindo que as condenações sejam anuladas e os casos sejam enviados para um tribunal de pequena instância. O Departamento de Justiça, argumentou, tentará depois anular as acusações, de forma a que estes casos fiquem arquivados.

Os advogados dos condenados elogiaram a decisão de Pirro, falando em “gratidão” e numa decisão que só peca por “tardia”. Mas o congressista democrata Jamie Rasking, que faz parte do comité judicial daquele órgão, classificou a decisão como um “desenvolvimento chocante e perigoso”, assim como insulto ao júri e aos juízes, mas sobretudo aos polícias “heroicos” que ficaram “feridos, com sangue, e magoados a defender a democracia naquele dia terrível”.

Como o jornal escreve, desde que Trump regressou à Casa Branca a sua administração lançou uma “campanha para reescrever” a história do ataque ao Capitólio, classificando os atacantes como “patriotas”. No ano passado, Trump assinou um decreto que perdoava imediatamente cerca de 1.500 de pessoas condenadas pelo ataque de 6 de janeiro de 2021.

“Isto é para 6 de janeiro, para os reféns, cerca de 1.500 pessoas que serão completamente perdoadas”, disse Trump, ao assinar o decreto na Sala Oval da Casa Branca, acrescentando que o perdão iria incluir comutações de penas.

A decisão surgiu horas depois de cerca de 50 membros da organização ultranacionalista Proud Boys terem marchado pelas ruas de Washington exigindo a Trump o perdão dos seus membros presos devido ao ataque contra o Capitólio, enquanto o Presidente tomava posse, pela segunda vez.

O Departamento de Justiça norte-americano tinha acusado cerca de 1.600 pessoas por estes atos violentos, das quais mais de 1.270 foram condenadas. As detenções e julgamentos continuaram até pouco antes da tomada de posse de Trump.

O ataque aconteceu depois de um comício em que Trump repetiu a ideia, sem provas, de que teria derrotado Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020 e que a eleição teria sido manipulada. Depois disso, uma multidão forçou a entrada no Capitólio, provocando milhões de dólares em danos e tendo 140 polícias ficado feridos. A administração concordou no ano passado em pagar quase cinco milhões de dólares à família de uma apoiante de Trump, Ashli Babbitt, que foi alvejada e morta pela polícia durante o ataque.

Trump e os seus apoiantes têm defendido que as condenações foram excessivas e feito queixas sobre as condições em que as pessoas foram presas. Algumas das pessoas que foram perdoadas têm entretanto tentado concorrer a lugares na administração norte-americana, enquanto os procuradores que investigaram o caso foram despedidos.

Este ano, a Casa Branca criou um site em que descreve o ataque ao Capitólio como um momento em que os apoiantes da administração foram “injustamente atacados, excessivamente punidos, e usados como exemplos políticos”, insistindo na ideia de que a eleição de 2021 foi uma “fraude”.

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.