“Chegou a altura de falar sobre a adesão à União Europeia (UE)?” é a pergunta que orienta o mais recente estudo da Best for Britain. A resposta, dada por mais de 4.368 britânicos entre 5 e 10 de setembro de 2025, revela um cenário em transformação: o apoio à reintegração na União Europeia está a ganhar força, sobretudo entre os eleitores do Partido Trabalhista — atualmente no Governo —, dos Liberais Democratas e dos Verdes.
O grupo de lóbi responsável pelo estudo, que pertence à sociedade civil, afirma ter como objetivo “resolver os problemas que a Grã-Bretanha enfrenta após o Brexit”.
Juntando as respostas que se enquadram nas categorias de “apoia firmemente” e “apoia ligeiramente”, a alternativa mais apoiada é a de “a Grã-Bretanha manter uma relação mais próxima com a UE, sem voltar a aderir à UE, ao Mercado Único ou à União Aduaneira”. Trata-se de uma posição próxima da atual linha do Governo — descrita como uma “estratégia do silêncio” pelo especialista John Curtice, num evento de apresentação dos resultados —, que reúne o apoio de 61% dos inquiridos, embora apenas 19% o expressem de forma “forte”.
Logo a seguir surge a opção de reintegração na União Europeia. Entre os resultados globais nesta questão, o cenário mais apoiado, com 53%, é o do regresso total à União Europeia. Esta média é impulsionada sobretudo pelos eleitores mais progressistas, com níveis muito semelhantes entre os diferentes partidos: 83% de apoio entre os eleitores do Partido Trabalhista, 84% entre os do Partido Liberal Democrata e 82% entre os do Partido Verde.
Mas, quando se observa o eleitorado conservador, os valores descem para 39% de apoio. Já entre os apoiantes do Reform UK, de Nigel Farage, que votaram de forma esmagadora pela saída do Reino Unido da UE em 2016, a oposição a qualquer reaproximação é clara, com apenas 18% a manifestarem apoio à reintegração.
Além destes dois, os investigadores do Best for Britain testaram ainda quatro cenários, incluindo uma maior divergência em relação à UE, a adesão à União Aduaneira e ao Mercado Único. Nestes restantes cenários, 49% apoiam a União Aduaneira e 46% concordam com o Mercado Único. Entre todas as opções, a que recolhe menos apoio favorável é a de o país continuar a afastar-se da união.
Dez anos após o referendo que determinou a saída do Reino Unido, a abordagem cautelosa do Partido Trabalhista ao tema poderá estar a colocar o partido em risco de perder apoio entre eleitores mais liberais e mesmo em círculos eleitorais tradicionalmente conservadores, segundo especialistas da organização.
Citado pelo The Guardian, Curtice, especialista em sondagens políticas, criticou a eficácia da estratégia dos trabalhistas, já que a perda da base eleitoral liberal em questões como o Brexit poderá ser mais prejudicial para o partido do que a perda de votos para os partidos pró-Brexit.
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