O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou, esta sexta-feira, estar “absolutamente furioso” por não ter sido informado de que Peter Mandelson não passou nos testes de segurança que realizou antes de assumir funções como embaixador britânico nos Estados Unidos.
Em declarações aos jornalistas em Paris, Starmer classificou a situação como “imperdoável e chocante“, sublinhando que nem ele e nem nenhum ministro tiveram conhecimento de que Mandelson não tinha passado no teste de verificação de antecedentes realizado pela autoridade de segurança britânica, a UK Security Vetting.
“O número 10 não foi informado de que Mandelson não tinha passado na verificação de segurança. Isto é completamente inaceitável. O que pretendo fazer é dirigir-me ao parlamento na segunda-feira para expor todos os factos relevantes com total transparência, para que todos tenha uma visão completa da situação”, disse, citado pelo The Telegraph, acrescentando que afasta qualquer ideia de demissão.
https://observador.pt/2026/04/16/mandelson-chumbou-no-teste-de-verificacao-de-antecedentes-para-ser-embaixador-nos-eua-governo-anulou-decisao-e-deu-luz-verde-a-nomeacao/
Em janeiro de 2025, antes de Peter Mandelson assumir o cargo de embaixador em Washington, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico terá anulado a decisão dos serviços de verificação com o objetivo de garantir que o nome nomeado por Keir Starmer avançasse.
Na altura, o secretário permanente do ministério era Olly Robbins e o chefe da diplomacia era David Lammy, atual vice-primeiro-ministro. Numa carta enviada em setembro à comissão de Negócios Estrangeiros, os dois afirmaram que o processo de acreditação tinha seguido os procedimentos habituais e que a autorização tinha sido dada antes da tomada de posse. No entanto, não referiram que a UK Security Vetting tinha recomendado a não nomeação de Mandelson.
O processo decorreu num período de 48 horas. Dois dias depois, Mandelson foi informado de que a sua acreditação estava “confirmada“.
O caso, revelado apenas esta semana, fez com que Olly Robbins saísse do Ministério dos Negócios Estrangeiros. De acordo com o The Telegraph, o funcionário foi demitido por Starmer na noite de quinta-feira, tendo o gabinete do líder britânico afirmado que “a investigação está em curso e [que] Olly Robbins deixou o cargo“.
A líder dos conservadores, Kemi Badenoch, considerou a explicação do Governo “completamente absurda” e defendeu que “todos os caminhos apontam para a demissão” de Starmer.