Um colete salva-vidas usado por uma tripulante do Titanic vai a leilão no Reino Unido, neste sábado. Estima-se que o artefacto “incrivelmente icónico e comovente” seja vendido por um valor entre as 250.000 e 350.000 libras (de 286.884 a 401.595 euros).
Segundo a casa de leilões Henry Aldridge & Son, este é o primeiro colete salva-vidas do desastre a ser licitado. “É literalmente uma oportunidade única na vida para os colecionadores”, explicou o leiloeiro Andrew Aldridge à CNN.
O colete pertenceu a Laura Mabel Francatelli, uma passageira de primeira classe que não só sobreviveu ao naufrágio, na noite de 14 para 15 de abril de 1912, como escreveu dois relatos do acontecimento, pode ler-se na legenda das fotografias do objeto no site da leiloeira.
Contudo, a sua história não se esgota aí. Laura era secretária de Lucy Duff Gordon, designer de moda de grande popularidade nos salões de Londres, Paris e Nova Iorque, e acompanhava-a tal como ao marido, o barão Sir Cosmo Duff Gordon, no R.M.S. Titanic, como parte de uma viagem maior até Chicago.
A página da internet da Henry Aldridge & Son inclui um episódio curioso sobre o que se passou na altura. Quando a proa do navio se afundava, Lucy Duff Gordon teve um inesperado comentário para Laura. “Lá se vai a sua linda camisa de noite.” A frase suscitou a reação de um membro da tripulação que dirigia o bote. “Não se preocupe com isso, salvaram as vossas vidas; nós é que perdemos o nosso equipamento.” O marido da designer “ficou profundamente perturbado ao saber que o salário da tripulação cessava no exato momento em que o navio se afundava e ofereceu aquilo que, na altura, pareceu um ato de genuína caridade”, continua o relato. “Virando-se para Miss Francatelli, pediu-lhe que redigisse sete ‘ordens’ de 5 libras cada, sacadas sobre o seu banco em Londres (Coutts)” e que só foram efetivamente emitidas a 16 de abril (a bordo do Carpathia).
Usado por Laura enquanto estava no barco salva-vidas Número 1, o colete inclui também autógrafos de oito dos doze viajantes que a acompanhavam nessa altura.
Esta experiência pessoal “representa um capítulo” da história maior do icónico naufrágio, refletiu Aldridge, em declarações à NBC News. “Estes itens de recordação” são importantes precisamente por permitirem “contar estas histórias” de vida, acrescentou o leiloeiro.
O colete salva-vidas que vai agora ganhar uma nova morada, esteve em exposição no Titanic Museum em Pigeon Forge, o maior museu dedicado ao tema, e no Titanic Belfast, na Irlanda do Norte.
Texto editado por Dulce Neto