Rama Duwaji, a primeira-dama de Nova Iorque, pediu desculpa por ter usado linguagem racista e ofensiva em publicações nas redes sociais quando era adolescente, após a divulgação dos conteúdos pelo Free Beacon. De acordo com o site norte-americano, a ilustradora utilizou o termo “nigga” numa publicação no X e glorificou grupos terroristas palestinianos.
Em entrevista à revista de artes Hyperallergic, a norte-americana de ascendência síria afirmou ter sentido “muita vergonha” ao rever as mensagens que escreveu na sua conta da rede social X, entretanto apagada. “Ser confrontada com uma linguagem tão prejudicial fez-me sentir muita vergonha. Ter 15 anos não é desculpa. Percebo a dor que causei e peço muita desculpa”, disse.
O termo “nigga” é um insulto racista e é usado de forma ofensiva e pejorativa por supremacistas brancos. É uma variação da palavra “nigger”: mais ofensiva, ligada à escravidão, segregação e racismo contra pessoas negras.
A polémica surge na altura em que Duwaji passa a estar sob maior escrutínio público, após a eleição do marido para presidente da câmara de Nova Iorque. Desde o início da campanha, têm sido recuperadas várias interações antigas da artista visual nas redes sociais, incluindo likes em publicações que celebravam o ataque do Hamas a Israel, a 7 de outubro de 2023.
Além disso, a mulher de Mamdani terá partilhado, em 2015, uma mensagem onde defendia que Telavive “não deveria existir”, criticando a presença da cidade na rede social Snapchat. No mesmo ano, assinalou o Dia Internacional da Mulher com a partilha de uma imagem de Shadia Abu Ghazaleh, associada à Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), que morreu em 1968 ao fabricar um explosivo.
Em 2017, publicou numa conta de Tumblr uma imagem de Leila Khaled, militante da mesma organização envolvida em vários sequestros de aviões nas décadas de 1960 e 1970.
Questionado sobre o tema, Mamdani tem evitado comentar as posições da mulher. Em março, afirmou que Duwaji é “uma pessoa privada“. Esta posição foi reiterada esta semana, numa conferência de imprensa, onde sublinhou que a decisão de entrar na vida pública foi sua, enquanto a mulher “escolheu ser artista”. Ainda assim, descreveu-a como “uma pessoa de enorme integridade”.
https://observador.pt/2025/11/05/quem-e-rama-duwaji-a-artista-de-28-anos-de-origem-siria-e-pro-palestina-que-vai-ser-primeira-dama-de-nova-iorque/
Duwaji garantiu, ainda na entrevista, que não tenciona alterar a sua posição política. “Tudo é político. O que escolhemos mostrar ou omitir, as histórias que destacamos e as que ficam à margem”, disse, acrescentando, porém, que pretende continuar a trabalhar “com cuidado e responsabilidade”, deixando que a sua arte fale por si.
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